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Ucrânia: Embaixadora quer memorando para Kiev beneficiar de “conhecimento” português sobre UE

Data de publicação
21 Fevereiro 2024
18:55

A embaixadora da Ucrânia em Portugal, Maryna Mykhailenko, solicitou hoje a assinatura de um memorando para que Kiev beneficie da “experiência e conhecimento” portugueses no âmbito do seu processo “longo e difícil” de integração na União Europeia (UE).

A diplomata reuniu-se hoje com cinco deputados do Grupo Parlamentar de Amizade Portugal-Ucrânia, naquela que deverá ter sido a última reunião oficial na atual legislatura e em vésperas de se completarem dois anos sobre a invasão russa da Ucrânia.

“Confiamos que a cooperação continue, sobretudo no âmbito da integração da Ucrânia na União Europeia. Gostaríamos de assinar um memorando nesta matéria porque apreciamos a vossa experiência e precisamos dela. Sabemos que este é um processo longo e difícil e, por isso, o vosso conhecimento é importante para nós”, sublinhou.

Hoje, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, informou que Bruxelas apresenta “no início do verão” e mais tarde do que esperado, uma proposta sobre o quadro de negociações para adesão da Ucrânia à UE, o que só deverá acontecer depois das eleições europeias de junho.

Em meados de dezembro passado, o Conselho Europeu decidiu abrir as negociações formais de adesão à UE com a Ucrânia e a Moldova, com o presidente da instituição, Charles Michel, a falar num “sinal claro de esperança” para estes países.

Para a realização da reunião de hoje à tarde no parlamento foi pedida autorização especial ao Presidente da Assembleia da República, que a concedeu e teve como objetivo garantir a continuidade da colaboração e do apoio à Ucrânia, independentemente do resultado das próximas eleições legislativas de 10 de março, segundo o presidente do Grupo de Amizade, o socialista Diogo Leão.

Marcaram ainda presença os deputados Palmira Maciel, Cristina Mendes da Silva e Ivan Gonçalves do PS e Mónica Quintela, do PSD.

No encontro, a embaixadora da Ucrânia transmitiu estar “extremamente grata” a este grupo “muito ativo e eficiente”, enumerando ainda os esforços para fazer regressar crianças ucranianas “raptadas” pela Rússia.

Aos deputados garantiu que o seu país continua empenhado em lutar “até ao final, até à vitória”.

“Esta é a nossa guerra existencial não só pela integralidade do território, mas também da nossa sobrevivência como nação”, afirmou a diplomata, recordando que especialistas militares estimavam que os russo demorariam apenas dois dias a concretizar a invasão e afinal a luta “dura há dois anos”.

A embaixadora enumerou vários sucessos no terreno, o aumento da capacidade de produzir armamento, mas sublinhou não ser suficiente, pelo que é necessário mais apoio dos aliados.

Após o encontro, indicou aos jornalistas que a Ucrânia conhece os “limites” de Portugal, mas seria de grande importância que fosse considerado o pedido de caças F-16 feito na recente reunião entre o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, que esteve este mês no território ucraniano.

No passado dia 08, o chefe de gabinete adjunto da Presidência ucraniana, Ihor Zhovkva, em entrevista à Lusa, informou que as autoridades ucranianas solicitaram caças F-16 para enfrentar a invasão russa e que, após as eleições legislativas, Portugal aumente o seu apoio militar, que é ainda “bastante modesto”.

No final da sua visita à Ucrânia, Gomes Cravinho afirmou que Portugal “vai anunciar muito em breve um novo pacote de ajuda correspondendo àquilo que são as necessidades do momento” das autoridades de Kiev.

A ofensiva militar russa no território ucraniano, lançada a 24 de fevereiro de 2022, mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Os aliados ocidentais da Ucrânia têm fornecido armas a Kiev e aprovado sucessivos pacotes de sanções contra interesses russos para tentar diminuir a capacidade de Moscovo de financiar o esforço de guerra.

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