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Doações para promover direitos humanos a nível global bateu número recorde

JM-Madeira

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Data de publicação
21 Julho 2021
15:58

O financiamento filantrópico para promover os direitos humanos a nível global atingiu um recorde de 3,1 mil milhões de euros, em 2018, de acordo com um relatório hoje divulgado.

O documento revela, contudo, que quase metade das doações veio de 12 fundações, mostrando que o financiamento depende de apenas um punhado de doadores, incluindo a Fundação Bill e Melinda Gates e a Fundação Ford.

O relatório - produzido por um consórcio entre a organização de investimento filantrópico Candid e a organização Human Rights Funders Network, um grupo de doadores globais de direitos humanos - adiante ainda que uma quantidade baixa de doações diretas a instituições de caridade para regiões de países em desenvolvimento.

O relatório analisou as contribuições de mais de 800 financiadores que procuram promover os direitos consagrados nos tratados de direitos humanos e na Declaração Universal dos Direitos Humanos - um acordo das Nações Unidas que estabelece direitos civis e políticos amplamente aceites, bem como direitos sociais para a educação, saúde e outras áreas.

A maioria das contribuições destinou-se a programas na América do Norte, no entanto, Rachel Thomas, diretora de iniciativas de investigação da Human Rights Funders Network, diz que a falta de dados sobre doações fora dos EUA pode ter contribuído para esses resultados.

Os programas gerais globais foram o segundo maior destinatário de doações, seguidos por iniciativas na África subsaariana - que receberam cerca de 250 mil milhões de euros em contribuições.

Apenas 15 milhões de euros foram doados para apoiar o trabalho na região das Caraíbas, uma região que atualmente enfrenta crises severas no Haiti e em Cuba, após o assassínio do Presidente haitiano, Jovenel Moïse, e manifestações contra o Governo em Cuba.

A maior parte do financiamento de direitos humanos destinado a programas no Médio Oriente, África e Caraíbas não foi dado a organizações baseadas nessas regiões, concluiu o relatório.

Analistas da Council on Foundations - uma associação de financiadores - explicam que os obstáculos administrativos - bem como as leis restritivas de financiamento estrangeiro em alguns países - tornam difícil para as fundações dos EUA doarem diretamente a instituições de caridade em outros países.

Mas esses especialistas sugerem que o pequeno montante de financiamento direto também aponta para uma "lacuna de confiança" entre doadores e organizações nas regiões em desenvolvimento.

No relatório, não fica claro quanto dinheiro se destinou a organizações que concedem as contribuições para instituições de caridade locais ou organizações sem fins lucrativos ocidentais que administram os seus próprios programas nessas regiões.

"A confiança continua a ser um problema", disse Degan Ali, diretor executivo da organização humanitária e de desenvolvimento Adeso, com sede no Quénia - um crítico da ajuda estrangeira que prioriza as organizações ocidentais sem fins lucrativos.

Lusa

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