D. Tolentino Mendonça: "Abençoar" deve ser um propósito prioritário em 2020

O cardeal madeirense D. José Tolentino Mendonça presidiu neste dia 1 de janeiro à missa na capela do Rato, em Lisboa.

Na ocasião, Tolentino sublinhou que "Deus é favorável, Deus está disposto a dar um investimento de vida, Deus é um sim à nossa vida", e "não uma porta fechada", pois a humanidade "não é uma coisa perdida", declarou na homilia. "Deus ama a nossa humanidade, Deus extasia-se como a nossa humanidade, com aquilo que somos", frisou.

A tarefa de nos "amarmos a nós próprios" só é possível "se formos ajudados pelo amor incondicional de Deus", acrescentou Tolentino, que considera que esta é uma das tarefas mais difíceis na história de cada ser humano.

Comentando as leituras bíblicas da celebração que assinala a solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, o bibliotecário e arquivista da Santa Sé interrogou, segundo a plataforma digital da Pastoral da Cultura: "Do ponto de vista racional, parece um absurdo: como é que uma humana, Maria, pode ser mãe de Deus?". "A tradição mais antiga eclesial celebrou Maria com este título, um dos mais primitivos títulos marianos", atingindo um "plano que a razão declara como absurdo", mas "a fé como verdadeiro".

"O grande remédio" da existência "é o amor", assegura o cardeal, e uma das suas sementes é ter a capacidade de dizer "o bem": "Vivemos dentro de uma cultura que é o contrário, que lamentavelmente nos leva a viver numa crítica constante, pouco construtiva, em que vemos sobretudo o mal; os nossos olhos parecem profissionais que só veem a parte negativa, deixamo-nos consumir numa espécie de lamúria, lodaçal escuro, noturno, onde só vemos o mal".

D. Tolentino Mendonça disse ainda que um dos propósitos prioritários do novo ano devia ser "abençoar": "Há uma bênção quotidiana, secular, humana, que todos podemos dar uns aos outros», desejando «o melhor para cada um», em contraposição a uma cultura «onde o bem é silenciado, como se não tivesse lugar no espaço público".

"Só conseguiremos domar o lobo que existe no coração" se houver a capacidade de transformar "a agressividade e escuridão numa forma de luz, numa coisa que se acende", porquanto a humanidade de cada pessoa "é o lugar para hospedar e expandir Deus no mundo".

Tendo em conta que a paz é um dom que se recebe e partilha, é necessário que o ser humano se comprometa com um estilo de vida marcado pela "compaixão, a misericórdia, o bem", frisou ainda.

O cardeal concluiu afirmando: "Que os propósitos que o Espírito Santo faz vir ao nosso coração" neste que é primeiro dia do ano sejam acolhidos como "um programa de vida", para que a existência de cada um de nós não seja apenas "a passagem do tempo", mas "um tempo oportuno" para a relação com Deus.