Bispo presidiu à Missa do Dia da Região da Madeira

Ecclesia

O bispo do Funchal presidiu hoje à Eucaristia no Dia da Região e das Comunidades Madeirenses, na igreja Matriz do Machico, e destacou a marca cristã presente no território há 600 anos, feita de “tenacidade e sofrimento”, mas também “de festa, alegria, celebração”.

“A Madeira foi descoberta cristã”, sublinhou D. Nuno Brás, em alusão à forma “como os navegadores portugueses tomaram posse destas novas paragens: com a água do batismo” e “com a aspersão da mesma em nome de Deus”.

De acordo com o cónego e cronista Jerónimo Dias Leite, a primeira missa na Madeira foi celebrada no dia 2 de julho de 1419, um momento que serviu como ponto de partida para a dinamização “da vida” naquele território, em termos humanos e materiais, tendo sempre como ponto de referência a “mesma e única fé”.

Desde “os templos que foram sendo construídos por toda a Madeira, pequenos e grandes”, até à vivência quotidiana “nas famílias, nas comunidades, no trabalho”.

Uma fé atestada também pelas “inúmeras procissões que todas as semanas povoam a Ilha” ou simplesmente em gestos de “caridade, escondida a maioria das vezes das páginas dos jornais, mas essencial para aquele que a acolhe e para aquele que a pratica”, acrescentou o bispo do Funchal.

Apesar de enaltecer esta matriz cristã presente na Região Autónoma da Madeira, o responsável católico alertou para a necessidade de “não cruzar os braços”, mas cuidar e reforçar cada vez mais este legado, tendo em vista o seu “aperfeiçoamento”.

“Por um lado, não podemos deixar de reconhecer como muitas das nossas comunidades vão vivendo esta vida nova: como o amor fraterno e o serviço do Senhor são uma realidade; e não podemos deixar de reconhecer, igualmente, o contributo essencial dos cristãos na vida da cidade: a vida social, económica e política da Madeira foi e é em grande parte protagonizada pelos cristãos”, disse D. Nuno Brás.

No entanto, prosseguiu, “não podemos deixar também de reconhecer os muitos pecados, as muitas falhas e fracassos que marcaram estes 600 anos, seja por parte dos cristãos tomados individualmente, seja por parte da comunidade cristã no seu todo”.

Para o responsável católico, este Dia da Região ou a celebração dos 600 anos da Descoberta da Madeira, que amanhã se assinala, não podem ser uma ocasião para “olhar simplesmente para o passado” e enaltecer “o que foi realizado”.

“Necessitamos de olhar para o futuro. E este futuro só será verdadeiramente digno do passado que vivemos se continuarem a existir comunidades cristãs que o sejam de verdade”, indicou D. Nuno Brás.

O prelado apelou a Igreja e a uma comunidade católica madeirense que saiba viver “cada vez mais e melhor o amor fraterno e o serviço do Senhor”, que seja capaz de dar testemunho “desta vida nova no seio de toda a comunidade humana” local, que seja “fonte de bênção” e que adote como “seus cada vez mais, as alegrias e os sofrimentos” das pessoas.

“A história destes 600 anos é a história de um povo cristão que desde o primeiro momento lutou por, acolhendo o amor e a vida de Deus no seu quotidiano, humanizar e divinizar não apenas as terras como as próprias relações humanas”, reforçou o bispo do Funchal, fazendo votos de que todas as comunidades atuais possam continuar a “corresponder a esta história”.

Os navegadores portugueses João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira chegaram à Ilha do Porto Santo em 1418 e um ano depois descobriram a Madeira, sendo que a chegada aconteceu a 1 de julho de 1419 mas o desembarque, a primeira missa e a exploração do território tiveram lugar no dia seguinte.