Bispo já está a escolher os elementos da comissão que vai receber denúncias de abusos sexuais na Madeira

Alberto Pita

Depois das dúvidas geradas em várias dioceses sobre a necessidade da criação de um organismo que recebesse denúncias de abusos sexuais, o Papa Francisco publicou uma carta apostólica sob a forma de “motu proprio”, ou seja, decreto, para obrigar todas as dioceses a criarem esse organismo, que poderá chamar-se comissão, gabinete ou ter outro nome.

D. Nuno Brás também se interrogava se era ou não necessário a criação desse organismo, e chegou a dizê-lo publicamente, mas o decreto papal pôs termo a qualquer hesitação.

“O papa manda e a gente obedece”, respondeu hoje o bispo do Funchal, quando questionado sobre o assunto pelos jornalistas, momentos antes do almoço-debate de apresentação do livro “Cenas de Deus”, do próprio D. Nuno Brás.

“Aqui há umas semanas, antes de haver todas estas normas, interrogava-me se era ou não necessário. Agora, o papa manda e obviamente que a Diocese do Funchal vai seguir aquilo que o papa manda”, esclareceu.

O bispo disse ainda já ter “alguns nomes” de elementos que irão integrar a comissão, e até revelou que um dos convites foi declinado, “por razões profissionais”. O bispo não revelou quem se escusou, mas garantiu que o convite não era para esse elemento presidir à comissão.

D. Nuno Brás também não quis revelar, para já, quais serão as pessoas que vão compor esse organismo, remetendo para quando o grupo estiver completamente escolhido.

“Quando a comissão estiver toda criada, terei todo o gosto em anunciar a sua constituição e os seus objetivos”, disse aos jornalistas.

Embora ainda sem data para a sua instalação, o bispo do Funchal prometeu que o processo será “relativamente rápido”, não devendo ser necessário esgotar o prazo de um ano determinado pelo Sumo Pontífice.

Recorde-se que, de acordo com o que foi determinado pelo Vaticano, até junho de 2020, todas as dioceses do mundo devem dotar-se de “um ou mais sistemas estáveis e facilmente acessíveis ao público para apresentar” suspeitas ou queixas de abusos sexuais cometidos por clérigos e religiosos, abuso de autoridade, uso de material pornográfico infantil ou encobrimento de abusos.

Fica ao critério das dioceses estabelecer que organismo concreto deve ser criado, mas o propósito é que a estrutura permita que um queixoso ou vítima seja bem acolhido, protegido de eventuais represálias, garantindo ao mesmo tempo a máxima seriedade no tratamento das denúncias.