Bispo lembra que na cruz está o “sofrimento da humanidade”

Guadalupe Pereira

O bispo do Funchal recorda na celebração de hoje, Sexta-feira Santa, dia em que a Igreja evoca a morte de Jesus, os dois acontecimentos que marcaram a última semana. Tristes e reais, “que deixaram em todos uma interrogação”, disse o chefe da igreja madeirense.

D. Nuno Brás referia-se ao incêndio da Catedral de Notre-Dame, a ‘Catedral da Europa’, para logo depois, mencionar o acidente no Caniço, na última quarta-feira, “que ceifou a vida a 29 nossos irmãos e deixou tantos outros com ferimentos graves ou com marcas no seu coração — marcas de um momento onde a vida se mostrou frágil e fora do nosso domínio”.

Nestes acidentes trágicos, em ambos, a imagem da cruz esteve presente. Na Notre-Dame no seu interior, “a cruz que, apesar do escuro das paredes queimadas, e contrastando com elas, continuava a brilhar, como que a proclamar, teimosamente, o amor de Deus por todos”. No Caniço, “na parede da casa destruída pelo autocarro, lá estava a cruz, como que a dizer-nos como o Senhor padece sempre de novo, hoje, nos nossos dias”.

O bispo sustenta “nós, cristãos, não podemos deixar de ver nestes acontecimentos um parentesco com o sofrimento mais inocente que é o de Jesus na Cruz”, e perceber como o “próprio Deus sofreu e continua a sofrer, porque a cruz de Jesus resume, sintetiza faz seu todo o sofrimento do mundo”.

Lembrando que na cruz está o sofrimento da humanidade, mas que está também o “amor de Deus que o suporta”, o bispo sublinha que vive e sofre connosco ajudando a viver o sofrimento de forma a tornar “mais leve o seu peso”.

É na cruz que se encontra o amor de Deus que “tudo ilumina” e “permite ver mais longe”, que “convida a ir além da razão e do sentimento para procurares as razões do amor, as razões de Deus, como o fizeram tantos e, de um modo particular, os santos”, acrescentou.

A terminar a homilia desta Sexta-feira Santa, o bispo do Funchal pede aos cristãos para se deixarem envolver. Que o “amor concreto, pessoal e eterno de Deus, ilumine a tua vida. Deixa que Ele te salve”, recomenda D. Nuno Brás.