“Conversão de vida é o grande convite e o grande dom da Quaresma”, diz o bispo do Funchal

Sofia Lacerda

“Convertei-vos” foi o apelo deixado pelo bispo do Funchal, esta tarde, na homilia da Quarta-feira de Cinzas. Na sua mensagem, D. Nuno Brás realçou que “a conversão é uma atitude que deve estar sempre presente na vida de qualquer cristão. Mas, na Quaresma, este convite torna-se mais intenso. A conversão de vida é o grande convite e o grande dom da Quaresma!”, sustentou.

Seguidamente, lançou a questão de “porque nos havemos de converter”, respondendo que, “certamente, no coração de todo e qualquer ser humano está sempre presente um desejo de viver melhor, de ser melhor: um desejo de progresso, para si e para os demais”.

Porém, acrescentou que “não é desta sede de mais e de progresso que nos fala o Evangelho, ainda que este desejo, longe de ser negativo, seja antes o reflexo daquele outro que Jesus nos propõe e coloca ao nosso alcance”.

Assim sendo, esclareceu que “Jesus convida à conversão porque o tempo chegou ao seu termo e o Reino de Deus está próximo. Deus encheu, preencheu o tempo, e ele transbordou e encharcou de vida divina tudo quanto estava ao seu redor”.

“Quando Deus se fez homem, disse-nos tudo o que havia a dizer, realizou tudo quanto havia a realizar da sua parte: a salvação. Deus iniciou, com o novo Adão que é Cristo, o mundo novo. Quando Deus se fez homem em Jesus de Nazaré, a história ficou grávida, preenchida de Deus. O Reino de Deus, quer dizer a vida de Deus connosco, com tudo o que isso significa de paz, bem-estar, convivência, harmonia, amor, de perenidade e de infinito - de vida eterna -, passou a ser uma realidade. Algo de vivo, eternamente vivo que se tornou manifesto na manhã da ressurreição”, frisou.

Desse modo, retorquiu, “é por isto que não podemos deixar de nos converter. O amor tornou-se uma realidade. É uma pessoa, um ser humano: Jesus”, precisou.

O bispo do Funchal mais defendeu que “a conversão, esse dinamismo, esse motor que há-de estar sempre presente na nossa vida cristã, consiste na transformação quotidiana do nosso modo de pensar, de agir, de viver, de ser”.

“É uma permanente mudança no modo de pensar. Quer dizer: uma transformação no nosso modo de olhar o mundo. Habitualmente, vemos o mundo a partir de nós, e é também assim que o pensamos: tudo parece estar à nossa volta. Parece que somos o centro do universo. A conversão que Jesus nos propõe consiste, em primeiro lugar, no convite a vermos o mundo com os olhos de Deus”, indicou.

“A conversão é, depois, uma permanente mudança no nosso modo de agir. Convida-nos a não tratarmos primeiro de nós, mas a colocar o outro em primeiro lugar. Convida-nos a colocar Deus em primeiro lugar e, logo depois e como expressão desse primeiro cuidado pela Pessoa divina, a cuidar do próximo. Convida-nos a esquecer o nosso conforto, para cuidarmos daquele que precisa. Convida-nos à atitude da caridade. A caridade é o nome dado ao amor de Deus por nós. E nós somos convidados a fazer como Deus, a agir como Ele: esquecendo-nos de nós para, primeiro, servirmos o próximo”.

Nesse sentido, e como nota final, D. Nuno Brás lembrou que “começamos hoje, uma vez mais, o caminho em direção às celebrações da Páscoa do Senhor. Diante de nós estão estes 40 dias de penitência”.

Por isso, pediu que “não os vivamos de um modo apenas exterior, para cumprir o calendário. Aceitemo-los como verdadeiro dom de Deus, como caminho a percorrer, individualmente, mas também como comunidade eclesial, com os olhos fixos na Páscoa de Jesus”.

Um “caminho”, disse ainda, que passará por “três ajudas essenciais: a esmola, o jejum, a oração. A estas, a sabedoria da Igreja acrescentou ainda a leitura frequente da Palavra de Deus, a confissão sacramental, e tantos outros exercícios pessoais ou comunitários de piedade”, rematou.