Papa elenca oito passos para a luta contra abusos sexuais a menores na igreja

Lusa

O papa Francisco apresentou hoje no Vaticano oito passos para a luta contra os abusos a menores na Igreja católica no final da cimeira com responsáveis de episcopados e institutos religiosos que debateram o tema.

Francisco, que falava no discurso final do evento, após a missa celebrada na sala régia do palácio apostólico, disse ter chegado a hora de “dar diretrizes uniformes para a igreja”, embora não tenha citado medidas concretas ou mudanças na legislação do Vaticano, enumerando apenas vários pontos para a luta contra os abusos a menores.

“Nenhum abuso deve jamais ser encoberto [como era habitual no passado] e subestimado, pois a cobertura dos abusos favorece a propagação do mal e eleva o nível do escândalo”, começou por referir perante os 190 representantes da hierarquia religiosa e 114 presidentes ou vice-presidentes de conferências episcopais de todo o mundo que estiveram reunidos desde quinta-feira no Vaticano.

De acordo com o papa Francisco, o primeiro ponto prende-se com a necessidade de “defender as crianças” e para isso instou “a mudar a mentalidade para combater a atitude defensiva” de salvaguardar a igreja.

Reiterou a obrigação de “total seriedade” na igreja na hora de abordar os casos e, assegurou que não se cansará de fazer tudo o necessário para levar perante a justiça qualquer um que tenha cometido tais crimes”.

“A igreja nunca tentará encobrir ou subestimar nenhum caso”, assegurou.

Outro ponto lembrado por Francisco é a exigência de uma verdadeira “purificação” dos homens da igreja para “transformar os erros cometidos em oportunidades para erradicar este flagelo e jamais cair na armadilha de acusar os outros, que é um passo em direção à desculpa daquilo que nos separa da realidade”.

O papa também indicou a necessidade de maior cuidado na “seleção e formação de candidatos ao sacerdócio” e que as Conferencias Episcopais tenham “parâmetros com o valor de normas e não apenas orientação”, além de “desenvolver uma nova e efetiva abordagem à prevenção em todas as instituições e ambientes de atividade eclesial”.

Francisco insistiu em proteger os menores dos perigos da internet e propôs que nas normas legais aprovadas em 2010 –onde a aquisição, retenção ou divulgação de material pornográfico foram adicionadas como novos casos de crimes - a faixa etária fosse alterada para 14 anos.

O papa demonstrou igualmente a sua preocupação pelo turismo sexual e afirmou a necessidade “da ação repressiva judicial”.

Francisco finalizou o seu discurso com um “sentido chamamento na luta contra o abuso de menores em todos os âmbitos”, porque “se tratam de crimes abomináveis que há que erradicar da face da terra”.