Juan Carlos Cruz, vitima de abusos no Chile, pede que bispos obedeçam ao papa

Lusa

O chileno Juan Carlos Cruz, umas vítimas de abuso pelo padre Fernando Karadima, que hoje se reuniu com a comissão organizadora do encontro no Vaticano sobre proteção das crianças, pediu aos bispos que obedeçam ao papa Francisco.

Após a reunião, que durou mais de duas horas, Juan Cruz explicou que o grupo de vítimas convidado para o encontro insistiu que "é muito importante que os bispos apliquem as leis que já existem, e que são muito claras”.

Juan Cruz explicou que foi um dos membros da comissão organizadora, o arcebispo de Malta Charles Scicluna, que o convidou para formar o grupo de vítimas que hoje se reuniu antes da cimeira histórica que se realiza a partir de amanhã com a participação de 190 pessoas, incluindo 114 presidentes das Conferências Episcopais de todo o mundo.

"O papa esta a fazer o que pode, mas o que pedimos é que os bispos apliquem as leis que devem aplicar, porque é uma pena que não o façam", disse.

O chileno, que já foi recebido pelo papa em 2018 juntamente com outras duas vítimas chilenas (José Murillo e James Hamilton) espera que depois da cimeira os bispos façam o que diz o papa "e não apenas acenar e depois, ir para casa, para seus países e nada fazer”.

Este jornalista e ativista da defesa das vítimas de abusos reiterou a sua crítica aos bispos chilenos que, segundo ele, "estão na Lua" e assegurou que o que os bispos chilenos e espanhóis estão a fazer "é um desastre terrível".

Em relação à reunião de hoje, realizada no Instituto Agostiniano ao lado da Basílica de São Pedro, Cruz explicou que foi pedida "transparência, que se apliquem as leis com rigor e que se coopere com a justiça civil entregando os abusadores e os que ocultam os crimes”.

Outro dos pedidos das vítimas antes da cimeira é que os nomes de todos os investigados sejam divulgados, porque "não há tempo para segredos".

O espanhol Miguel Hurtado, que denunciou abusos de um monge de Montserrat, em Barcelona, exigiu hoje ao Vaticano um "plano de ação global" contra a pedofilia durante a reunião que classificou como "dececionante".

"Foi um encontro honesto, mas estou desapontado por não terem apresentado um projeto concreto para combater esta pandemia global”, disse à imprensa depois de deixar o Instituto Agustianiano, acrescentando que “o tempo das palavras acabou, é hora de ações fortes".

As vítimas espanholas que integraram o grupo pediram um "plano de ação global, credível e com calendário" e "medidas específicas" com "um regime sancionatório para os bispos que não cumprem".

"Precisamos de mudanças, como a extensão do estatuto de limitações sobre os crimes de pedofilia, reformando o direito canónico e estabelecer tolerância zero para todos: se tocar numa criança uma única vez, será expulso”, explicou.

Miguel Hurtado, membro da associação Stolen que defende vítimas de abuso sexual dentro da igreja, defende ainda um encontro do papa com as vítimas para que fique claro o seu apoio e critica a da Conferência Episcopal Espanhola (CEE), a quem acusou de não querer se encontrar com vítimas.