Paroquianos do Monte consideram desumano o afastamento do padre Giselo

Os paroquianos do Monte manifestam "repúdio" e "indignação" perante a decisão anunciada pelo bispo do Funchal, que afasta do exercício de funções na paróquia o padre Giselo Andrade, dando a conhecer a sua resolução, tomada "após muita reflexão e oração".

Num comunicado enviado esta manhã às redações, os mesmos consideram que "estamos perante uma decisão que peca pela desumanidade" e prima pela "salvação da imagem", ao invés de se "centrar no cuidado pelo outro".

A posição assumida como formal envolve oito grupos e movimentos da paróquia do Monte e é avançada pelo JM, na edição impressa desta sexta-feira. A mesma é expressa em dois momentos: num comunicado explicativo e num documento que foi ontem entregue ao bispo do Funchal.

Recorde-se que a notícia da assunção da paternidade de uma menina por parte de Giselo Andrade foi revelada a 2 de novembro pelo nosso matutino e, poucos dias depois, o bispo assumiu que tomaria uma decisão sobre o futuro do pároco. A resolução chegou três meses depois. Foi comunicada domingo à noite com a indicação de que Giselo tem de deixar até hoje a paróquia onde viveu nos últimos nove anos. São apenas cinco dias, observam os paroquianos.

“Não podemos compactuar com uma tomada de decisão que pune e exclui um sacerdote” em vez de “perdoar e acolher”, recordam, sublinhado, que “a decisão do Sr. Bispo do Funchal desconsidera por completo a vontade dos paroquianos”, nomeadamente os mais de 500 que assinaram um outro documento antes entregue também em defesa do Giselo.

"Que fique explícito que nunca, em momento algum, a celebração da eucaristia e as demais atividades da paróquia deixaram de ter lugar com normalidade e (muita) afluência de fiéis", registam.

Para os paroquianos do Monte, esta trata-se de “uma decisão totalmente desajustada e insensata” que surge a meio do ano pastoral, o que "vem causar incortonáveis transtornos às atividades paroquiais em curso".

O processo, e sobretudo o prazo dado ao pároco para deixar a paróquia são também alvo de críticas ao bispo. Os paroquianos não entendem como pode um pároco e sua comunidade serem “notificados de uma decisão num domingo, passando aquela a produzir efeitos após cindo dias”, e questionam qual a humanidade da Diocese ao “exigir que um pároco esvazie a casa paroquial onde residiu, estudou e trabalhou durante nove anos, em apenas cinco dias?”.

Na carta ao bispo, e no comunicado que a edição impressa do JM de hoje torna público, nota-se a mágoa e a desilusão para com o bispo e o carinho para com o pároco que celebra hoje a sua última missa na Igreja do Monte.

“Vimos por este meio expressar a nossa indignação e repúdio para com a súbita tomada de decisão do Sr. Bispo, que afasta do exercício de funções na paróquia do Monte o nosso tão estimado pároco, Pe. Giselo Andrade”, começam por dizer na carta.