Igreja católica chilena lamenta abusos sexuais a alunos nos últimos 40 anos

Lusa

A Igreja católica chilena lamentou hoje os alegados abusos sexuais de cerca de trinta estudantes da Congregação Marista registados nos últimos 40 anos, mas valorizou os esforços da organização para lidar com a questão.

O cardeal Ricardo Ezzati, arcebispo metropolitano de Santiago do Chile, disse aos jornalistas que "a verdade liberta" e valorizou os esforços que os maristas fizeram nesta delicada questão.

"Foi um evento triste para eles", acrescentou.

Ezzati disse que os casos estão a ser analisados em conjunto com o Ministério Público do Chile.

Esta declaração surge dias antes de uma visita do papa Francisco ao Chile, marcada para o dia 15 de janeiro, estando agendada uma missa em Santiago do Chile e uma deslocação às cidades de Temuco e Iquique, de onde partirá no dia 18 rumo ao Peru.

Francisco morou dois anos no Chile no final da década de 1950, enquanto estava a estudar.

Jaime Concha, vítima de abuso e porta-voz dos afetados, descreveu a situação deste grupo como uma tragédia e disse esperar uma forte resposta da Congregação dos Irmãos Maristas para expulsar os responsáveis assim como uma reparação dos danos a todas vítimas e suas famílias.

Os Irmãos Maristas do Chile, parte de uma congregação religiosa católica para fins educacionais a nível internacional, admitiram ter omitido casos de abuso sexual de menores dentro das escolas que administram neste país.

Há pelo menos sete professores investigados por crimes contra trinta estudantes.

Poucos dias antes da chegada do papa Francisco ao Chile, três porta-vozes da instituição, Mariano Varona, Héctor Villena e Ernesto Reyes, reconheceram ao jornal espanhol El Periódico que não relataram os crimes sobre os quais tinham informações.

Diante do caso do religioso Abel Pérez, que confessou ter abusado de menores durante quase 30 anos, os porta-vozes da ordem religiosa disseram que nunca tinham visto nada.

Mariano Varona também se referiu ao caso de Armando Alegría, outro dos acusados, contra quem disse ter havido uma primeira queixa em 1981, de um aspirante a Marista.

"Não pensei que fosse abuso sexual, mas sim jogos eróticos e fotografias de nus entre Armando e o menino", disse em declarações aos órgãos de comunicação espanhóis.

Segundo Varona, as informações chegavam, muitas vezes, como segredos da confissão, sendo, por isso, a sua denúncia inapropriada.

Quando questionado sobre o atraso na queixa - que finalmente foi feita em agosto de 2017 - explicou que era devido à "falta de protocolos" e à pouca experiência no assunto.

Nos últimos 15 anos, desde o caso de Andrés Aguirre, o chamado "sacerdote Tato", 80 padres católicos e religiosos foram acusados de crimes de conotação sexual no Chile.

Desse total, 45 foram condenados pela justiça civil ou canónica.