Papa Francisco ouvirá testemunhos de rohingyas na visita ao Bangladesh

Lusa

O papa Francisco ouvirá testemunhos de membros da comunidade rohingya em Daca, durante a visita ao Bangladesh, de 30 de novembro a 2 de dezembro, disse hoje o porta-voz da Santa Sé, Greg Burke.

A reunião do papa com "um pequeno grupo de rohingyas" no Bangladesh terá lugar no quadro de um "encontro interreligioso e ecuménico pela paz", em 1 de dezembro, no fim da jornada em Daca.

O Estado da Birmânia (atual Myanmar), com mais de 90 por cento de budistas, não reconhece a etnia rohingya, sujeita a restrições, entre as quais a liberdade de movimentação e o acesso ao mercado de trabalho.

Uma intervenção de polícias e militares birmaneses em Rhakine há meses provocou o êxodo de rohingyas em direção à fronteira com o Bangladesh, onde foi erigido um acampamento.

Mais de 600 mil rohingyas - a nacionalidade birmanesa foi-lhes retirada em 1982 - encontraram já refúgio no país vizinho Bangladesh.

Durante a primeira parte da viagem à Birmânia (atual Myanmar), de 26 a 30 de novembro, o papa Francisco decidiu agendar no seu programa um encontro "privado" com o chefe do exército birmanês, o general Min Aung Hlaing.

O papa iniciará a sua visita à Birmânia com uma reunião interreligiosa "privada".

O arcebispo de Rangoon, Charles Bo, primeiro cardeal do país desde 2015, foi recebido no sábado, no Vaticano, pelo papa Francisco, que recebeu três recomendações: evite a palavra rohingya, designando a etnia como "muçulmanos do Estado de Rahkin", promova um encontro discreto com o chefe do exército birmanês e organize uma mesa redonda interreligiosa.

O porta-voz da Santa Sé sublinhou que o papa seguiu os conselhos do arcebispo de Rangoon e acrescentando que o termo rohingyas não é "proibido" no Vaticano, mas que o papa ouviu o conselho.

O papa já assinalou a situação dos rohingyas em diversas ocasiões e, em agosto último, pediu ajuda e “plenos direitos” para esta minoria muçulmana.

No vídeo divulgado hoje, Jorge Bergoglio referiu que pretende com a visita ao Bangladesh “confirmar com a comunidade católica” daquele país “a fé em Deus e o testemunho do Evangelho”, que ensina “a dignidade de todos os homens e mulheres” e exige o cuidado de todos os seres humanos, especialmente dos pobres e dos mais carenciados.

Francisco também expressou a intenção de reunir-se com as autoridades e os líderes religiosos do Bangladesh, salientando que atualmente “os crentes e as pessoas de boa vontade são chamados a promover a compreensão mútua e o respeito” e a estimularem um apoio mútuo “como membros de uma única família”.