Fiéis defuntos: “Celebrar a Eucaristia, fazemos memória de quantos já partiram”

Guadalupe Pereira

O bispo do Funchal preside esta tarde à celebração dos Fiéis Defuntos, no Cemitério de São Martinho, começando por interrogar os presentes: “deste mundo, desta nossa vida, seremos capazes de levar connosco alguma coisa?”

Os bens materiais, como o “dinheiro não nos acompanhará; as casas, os carros, o poder que temos e tudo o mais que pertence a este mundo, nada disso nos acompanhará”, sublinhando que “o modo como o fazemos, a finalidade com que vivemos, o amor em que existimos, isso sim, acompanhar-nos-á”.

Prosseguindo na reflexão, D. Nuno Brás destaca que “o modo como vivemos esta nossa vida (que o próprio Deus nos oferece) constitui uma boa parte desse tesouro próprio do céu”, e também “o modo como olhamos, como vivemos e como servimos e ajudamos o próximo”.

Segundo o Bispo, “a fé convida-nos a ir ainda mais longe” apesar de esta “vida limitada, finita”, encontramos momentos de eternidade, de Graça, “vivendo na terra, parece que tocamos Deus: o nascimento de uma criança, a morte de um amigo, a alegria de uma consagração total, a generosidade surpreendente de um estranho, a palavra que escutámos no momento certo”.

O prelado frisa no texto da homilia enviado ao Jornal, que “os sacramentos são esses grandes momentos de eternidade que vivemos e que são a grande riqueza da Igreja”, observando que “esses momentos em que a eternidade de Deus toca o nosso tempo e a nossa fragilidade, para a transformar, a converter em vida eterna”.

O bispo refere que “a Eucaristia nos une a Deus. A Eucaristia faz-nos um com Cristo e em Cristo”, e explica que “é por isso que, ao celebrar a Eucaristia, fazemos memória de quantos já partiram. Porque aqueles que partiram, vivem em Cristo”.

Numa referência ao dia de ontem de Todos os Santos, o prelado recorda “os que partiram deste mundo vivem em Cristo. Aqueles perfeitamente unidos ao Senhor, participam já da sua glória, vêem plenamente o seu rosto: são os santos, glória da humanidade, alegria da Igreja, que ontem celebrámos”, observando “na Eucaristia, encontramos e rezamos com os santos e os santos rezam connosco e ajudam-nos”.

Neste contexto, o bispo explicou “na Eucaristia, encontramos também aqueles que, deixando-se purificar por Deus, ainda caminham na direção da vida eterna, da vida plena e feliz com o Senhor. Na Eucaristia os encontramos. Na Eucaristia gozamos da sua companhia. Na Eucaristia, a santidade de Deus em nós torna-se para eles, enquanto membros do mesmo corpo, a ocasião de receberem os frutos da graça divina. E, assim, de facto, nem a morte nos separa dos amigos, dos familiares, dos conhecidos”.

A finalizar, o responsável católico que mais uma vez cumpriu a tradição de celebrar a missa dos fiéis defuntos, no cemitério, entoando “alegremo-nos, pois, e celebremos a Eucaristia. Hoje, celebramo-la particularmente por quantos já partiram deste mundo e necessitam da nossa oração”.