Bispo do Funchal relembra forma da Eucaristia na solenidade do Corpo de Deus

O Bispo do Funchal centrou hoje a solenidade do Corpo de Deus, celebrada na Sé, na forma da Eucaristia e no papel de Cristo.

D. Nuno Brás considerou que “habituados que estamos a esquartejar cientificamente o mundo, a dar por adquirido o funcionamento do quotidiano, vamos perdendo a capacidade de nos espantarmos diante do todo que nos aparece — ficamos surdos e cegos para o sublime que vem ao nosso encontro”.

No entanto, o responsável católico recordou que os fiéis não podem deixar de se “com a beleza, com a intensidade, com o sublime do amor divino”.

“Não podemos deixar de nos surpreender, hoje como se fora a primeira vez, pelo sublime de Deus que vem ao nosso encontro. Não podemos deixar de dar graças ao Pai por este milagre quotidiano que Ele coloca no nosso caminho, verdadeiro sinal do seu amor”, afirmou, apontando que “esta grandeza sublime do amor divino que vem ao nosso encontro, alimenta-nos, transforma-nos, converte-nos”.

Centrando a homília em Cristo, D. Nuno Brás questiona “que somos nós, cristãos, a não ser Cristo?”.

“Que temos nós, cristãos, para dar ao mundo a não ser Cristo — Cristo hoje, aqui, a partilhar, a transformar e a dar vida ao mundo contemporâneo, à existência dos homens e mulheres deste nosso tempo, de todos os homens e mulheres deste nosso tempo? Para onde caminhamos e para onde procuramos encaminhar este nosso mundo; qual a meta da nossa existência, a não ser Cristo — aquele de quem estamos revestidos desde o momento do nosso baptismo; o homem verdadeiro (que sintetiza plenamente o que é ser homem, e onde o humano atingiu o seu ponto mais excelente, mais alto) — o homem verdadeiro e, simultaneamente, o Deus verdadeiro?”, continuou, concluindo que “a forma da vida cristã é Cristo tal como Ele se nos oferece na Eucaristia”

Nas palavras do bispo do Funchal, a “forma da Eucaristia é aquela que nos é dada pelo acolhimento, pela gratidão, pelo serviço e pela esperança”.

“Pelo acolhimento. Diante de Deus, descobrimo-nos pobres: famintos, sedentos, necessitados. Não podemos, por isso, deixar de estar atentos ao que nos rodeia. Não podemos deixar de estar atentos a quanto pode saciar a nossa fome, a nossa sede”, apelou, acrescentando ainda que a Eucaristia “faz-nos perceber que todos somos devedores, de Deus e uns dos outros”.

“Aquele que se alimenta das modas e dos valores do mundo tem a forma do mundo. Aquele que se alimenta da Eucaristia assume a forma de Deus. E esse modo de ser e de viver a partir de Deus torna-nos imensamente felizes. Vivendo em Deus e com Ele, somos imensamente mais. Por isso, estamos gratos. A Eucaristia dá-nos a forma da gratidão permanente”, salientou.

De acordo com D. Nuno Brás, a Eucaristia “faz-nos cuidar uns dos outros”, “ser responsáveis por este mundo” e “faz-nos gente de comunhão, de comunidade”, sendo uma verdadeira escola de serviço.

Por fim, “a forma da Eucaristia é ainda dada pela esperança”. “ivemos com o Céu dentro de nós. Por isso, não desesperamos diante das dificuldades (nem sequer do martírio). Ultrapassamo-las porque percebemos que a última e definitiva palavra não será nunca pronunciada por um homem ou por qualquer força da natureza, mas por Deus”, lembrou o responsável católico.

Já na parte final da homilia, o bispo do Funchal pediu que os fiéis se deixem maravilhar “por esta presença divina no meio de nós que é a Eucaristia. É o conteúdo da nossa vida cristã. É a forma da nossa vida cristã: feita de acolhimento da vontade de Deus e de acolhimento do próximo; feita de gratidão, de acção de graças; feita de serviço e de esperança segura”.