“Deixemo-nos olhar pelo homem da Cruz”, desafia bispo do Funchal

Guadalupe Pereira

Na celebração da Paixão do Senhor, D. Nuno Brás incentiva os cristãos a confiarem a Deus “toda a nossa existência, tudo o somos e temos”.

O bispo do Funchal, D. Nuno Brás, preside esta tarde à celebração da Paixão do Senhor e convida os cristãos a refletirem acerca do significado da “cruz salvadora”, e como aquele acontecimento histórico é portador “de sentido e de vida para a nossa existência e para a existência do mundo”.

Na sua homilia, na Sé, o bispo do Funchal refere-se aos textos de Isaías, sobre a descrição do Crucificado – Jesus. O rosto estava “desfigurado pela flagelação; desfigurado pela coroação de espinhos e pelos maus tratos sofridos; mas (sobretudo) desfigurado pela desumanidade do pecado que nele se encerrava. Porque nele toda a desumanidade encontrava corpo e expressão”.

Depois, acrescentou: “ali, naquele Crucificado, se encontrava o feio em absoluto”, disse. E observa que na cruz do Gólgota, os cristãos encontraram sempre o rosto de Deus. “Por entre o feio do pecado, resplandece de beleza” do amor, que “nos atrai e nos mostra que nele — e apenas nele! — podemos entregar confiadamente toda a nossa existência, tudo o somos e temos”.

Adianta ainda que, “nele se concentrava toda a falta de fé: ali se encontrava a certeza dos ateus que afirmam a não existência de Deus; ali estavam as dúvidas dos agnósticos; ali se reuniam as nossas hesitações de crentes”, e que “todo o mal, todo o pecado, toda a miséria do mundo pesavam sobre os ombros daquele crucificado, abandonado por todos”.

Tendo presente o primeiro homem, Adão, o bispo lembra: “se, em Adão, a morte tinha chegado pela árvore do Paraíso, agora uma outra árvore sustenta o novo Adão”, sublinhando, “a raiz da árvore da cruz são o pecado e a morte, o homem velho. Mas, das raízes da morte e do pecado, a cruz ergue-se até ao céu como caminho que, por meio de Jesus, nos conduz, definitivamente ao Pai e à vida eterna. Nova humanidade, nascida do lado do novo Adão”.

A terminar, o bispo diocesano a todos convidou a se deixarem olhar pelo “homem da Cruz” e a encontrar a “beleza do amor de Deus”, permitindo “que Ele nos erga do pecado e da morte (do homem velho), e nos conduza à vida divina”.