Bispo do Funchal desafia cristãos a “lavar os pés” aos que necessitam da Páscoa

Guadalupe Pereira

O bispo do Funchal preside esta tarde na catedral diocesana à Missa da Ceia do Senhor, que marca o início do Tríduo Pascal da morte, sepultura e ressurreição. Celebramos o acontecimento da Páscoa que “vem até nós para nos envolver e iluminar a nossa existência”.

Na homilia antecipada às redações, o Bispo refere-se à narração do evangelista S. João acerca dessa última refeição de Jesus com os seus, onde ocorre o gesto “sacramental” do lava pés que, devido à pandemia, não é realizado. “Verdadeiro ensinamento de Jesus feito sem palavras, mas que permaneceu gravado na memória e no coração da Igreja, como que interpreta a Instituição da Eucaristia”, disse. O lava pés é um gesto singular, “realizado não pelos servos, mas por aquele que é “Mestre e Senhor”; e não no início da refeição como era habitual, mas no meio da mesma, de modo que, saindo fora de todos os hábitos, permaneça gravado na memória dos discípulos”.

Nesta quinta-feira Santa, D. Nuno Brás lembrou também que Jesus “escolhe lavar os pés aos discípulos e ao mundo inteiro, mesmo a Judas”.

A Páscoa, “é passagem libertadora de Deus pela história”, explica o prelado, sublinhando que, “quando Deus entra na história (na história da humanidade, na história de um qualquer grupo humano ou na história pessoal de alguém) nunca nos deixa como anteriormente”.

Na Missa da Ceia do Senhor, o responsável católico frisa que a Páscoa de Jesus estende-se até aos nossos dias. “Deus passa hoje por nós. Passa pela nossa vida. Faz Páscoa connosco. Fá-lo como um guerreiro, para destruir o que em nós é morte e pecado, e nos conduzir à vida, à Terra Prometida”, refere.

Dirigindo-se aos fiéis, diz que “o Senhor Jesus continua a usar a sua única arma, aquela do amor. Quer lavar-nos os pés: “Se não te lavar, não terás parte comigo”, continua Ele a dizer-nos, a nós que, como Judas e como Pedro, persistimos tantas vezes na vontade de seguir os nossos planos em vez de acolhermos o seu projecto salvador”.

Para o prelado, este é o momento para os católicos se interrogarem “de que modo concreto podemos (devemos) lavar os pés uns aos outros?”, celebrando o mandamento do novo amor, disponibilizando-nos aos que necessitam da Páscoa, de uma mão que os acolha e retire do pecado.