Que do sofrimento atual “surjam novas vontades”, pede Bispo do Funchal no Dia Mundial do Doente

Guadalupe Pereira

O bispo do Funchal vai presidir, esta tarde, pelas 16h30, à Missa do dia Mundial do Doente, na Sé do Funchal, numa homilia centrada na citação bíblica “Não é bom que o homem esteja só” (Gn 2).

Contudo, neste Dia Mundial do Doente, D. Nuno Brás pede “por aqueles que sofrem com a Covid-19 e pelos que sofrem com outras doenças, tantas vezes condenados a esperar", isto é, a adiar consultas e a serem "ignorados no seu sofrimento”, e também “por todos quantos cuidam dos doentes: médicos, enfermeiros, assistentes e demais pessoal que trabalha na área da saúde”.

E, lança um apelo, “que, de todo este sofrimento, surjam novas vontades, ânimo diferente de viver, na escuta do Mestre interior, único a poder conduzir-nos a novos e verdadeiros patamares de humanidade”.

No texto, enviado à redação do Jornal, ao fim da manhã desta quinta-feira, o bispo explica “que o ser humano, qualquer que ele seja, não se realiza na solidão”, mas qualquer homem ou mulher “que cresça, viva e se construa, que se realize a si mesmo na comunhão com aqueles que, como ele, são também em si mistérios únicos onde se manifesta o amor de Deus”.

D. Nuno Brás afirma que “esta solidão de eu comigo” tem a capacidade de fazer “cada ser humano como alguém único, irrepetível, em quem o amor divino se manifesta de um modo único, tornando-nos, desta forma, seres únicos, obras-primas que valem por si mesmos”.

Acrescenta, “e ai de nós se não formos capazes de viver positivamente esta solidão! Ela faz parte da bondade da criação. É o lugar da intimidade inviolável da consciência; lugar onde somos nós mesmos; verdadeiro “sacrário” de humanidade”, concluindo, “esta solidão radical é apenas ultrapassada e partilhada plenamente com Deus”.

O responsável católico defende ainda que “esta é a vontade de Deus: únicos e com uma interioridade incomunicável que nos torna pessoas, somos também aqueles que necessitam do outro para ser mais. Nenhum ser humano é capaz de viver radicalmente isolado dos outros”, destaca o bispo.

Numa evocação à necessidade de estarmos todos juntos, em todos os momentos, “somos radicalmente com os outros. E não é verdade que eles limitem a nossa liberdade e nos exijam cortes na nossa possibilidade de ser. Pelo contrário: somos tanto mais livres quanto mais livres forem aqueles que se encontram ao nosso lado, connosco”.

No ponto três, da homilia, o bispo tem como tema principal, o momento de pandemia que estamos a viver, recordando o tema da mensagem do Papa Francisco para este Dia Mundial do Doente que hoje celebramos a frase bíblica “Um só é o vosso Mestre e vós sois todos irmãos” (Mt 23,8).

Para o Bispo, “esta afirmação de Jesus sublinha a presença necessária do “Mestre interior”, Aquele que nos guia e inspira as nossas escolhas e decisões, cuja luz orienta os nossos passos; e, por outro, a fraternidade que une a todos”, e acrescenta, “mas não podemos deixar de oferecer ajuda ao nosso irmão, tal como não podemos deixar de aceitar aquela que ele nos oferece”.

Numa referência, novamente ao Papa, em que este diz que “a atual pandemia colocou em evidência tantas insuficiências dos sistemas sanitários e carências na assistência às pessoas doentes”, aos idosos e mais frágeis, o Santo Padre recorda, que “estes nem sempre são nem sempre é garantido o acesso aos cuidados médicos, ou não o é sempre de forma equitativa”.

Por outro lado, Francisco evidencia o trabalho efetuado por todos os homens e mulheres “ao mesmo tempo, a pandemia destacou também a dedicação e generosidade de profissionais de saúde, voluntários, trabalhadores e trabalhadoras, sacerdotes, religiosos e religiosas: com profissionalismo, abnegação, sentido de responsabilidade e amor ao próximo, ajudaram, trataram, confortaram e serviram tantos doentes e os seus familiares”.

Refira-se que a Igreja Católica assinala hoje o dia de Nossa Senhora de Lurdes, a concluir, o Bispo pede, que “interceda por todos, em particular pelos doentes e por quantos cuidam deles”.