Covid-19: Tripulantes de navio mercante substituídos com sucesso

Iolanda Chaves

A primeira substituição de tripulantes de um navio mercante, desde 13 de março passado, aconteceu na passada segunda-feira, precisamente quatro meses depois, no Porto do Funchal.

Esta operação, envolvendo seis tripulantes (três que embarcaram e três que desembarcaram) aconteceu ao abrigo de um quadro legislativo e operacional, criado pela Região, que permite operações de substituição de tripulação de navios (marítimos), ultrapassando as limitações globais impostas pela pandemia da COVID-19.

Rui Humberto Lopes, coordenador Covid - Oficial de Proteção, divulgou nas redes sociais esta situação, que aconteceu pela primeira vez, desde que existe um regulamento próprio, e considera ter sido bem sucedida.

Conforme explica, "os tripulantes a embarcar fizeram teste PCR no Aeroporto, à chegada à Madeira e aguardaram em isolamento em Hotel até ao resultado dos testes. Como o resultado foi negativo, foram autorizados a embarcar. Os tripulantes a desembarcar fizeram teste PCR na Gare Marítima da Madeira no Porto do Funchal, usando a sala de isolamento COVID e aguardaram em isolamento em Hotel até ao resultado dos testes. Como o resultado foi negativo, foram autorizados a deixar a Região".

A operação decorreu ao largo, pelo que para a transferência dos tripulantes foi necessário o recurso a uma embarcação aberta, cuja tripulação, assegura o coordenador, estava devidamente protegida com fatos EPI para caso suspeito. Garante o mesmo resposnável que foi assegurado o distanciamento entre os tripulantes desembarcados e os tripulantes da embarcação de transferência.

Esta foi uma operação coordenada entre a APRAM – Portos da Madeira e várias entidades incluindo o armador, o agente de navegação, a autoridade portuária, a autoridade de saúde, a autoridade marítima, a autoridade de fronteiras e a autoridade aduaneira.

"A avaliação geral da operação é de que foi um sucesso e estando a Madeira nas rotas transatlânticas habituais, é expectável que elas se venham a multiplicar nos tempos mais próximos", perspetiva Rui Humberto Lopes.

Com base nesta operação, e fazendo eco daquilo que foi divulgado nas redes sociais, a APORMAR - Agência Portuguesa de Marítimos emitiu hoje um comunicado realçando que "são poucos os países que abrem os seus portos e aeroportos a operações de substituição de tripulações, permitindo a saída dos marítimos a bordo e a entrada dos seus substitutos".

A abertura, agora facultada pela Região, mediante cuidados vários, permite, segundo a APORMAR que aqueles que estão há já alguns meses no mar "possam finalmente descansar e regressar às suas origens e famílias" e os outros "podem voltar a trabalhar e a obter remuneração fundamental". Foi isso mesmo que aconteceu, na Madeira, em que seis marítimos puderam retomar as suas vidas em segurança.

(Editado às 17h19)