PCP-Madeira preocupado com "uso abusivo do lay-off"

Redação

O uso abusivo do lay-off por parte de algumas empresas centrou as atenções da reunião mantida hoje entre o deputado do PCP à Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira, Ricardo Lume, e representantes da Associação das Delegações Sindicais Conjuntas.

Na reunião que serviu para analisar os impactos do COVID-19 em vários sectores de actividade da Região foram abordadas preocupações relacionadas com o uso abusivo do lay-off por parte de algumas empresas, nomeadamente da Empresa de Cervejas da Madeira, que avançou para lay-off logo no início da pandemia, independentemente das graves penalizações de direitos salariais e remuneratórios para os trabalhadores, fazendo com que muitos perdessem parte substancial do seu rendimento, agravando as condições económicas com que muitos já se confrontavam antes do início desta pandemia.

Segundo uma nova enviada às redações, também foram identificados problemas relacionados com o sector da limpeza, onde por exemplo algumas trabalhadoras da SERLIMA que trabalhavam em unidades hoteleiras foram obrigadas a trabalhar em algumas cadeias de supermercados, vendo alterado o ramo de actividade para o qual haviam sido contratadas, completamente à sua revelia.

Os trabalhadores das IPSS foram muito sobrecarregados e visados com esta pandemia, sendo obrigados a trabalhar 10 a 12 horas por dia em jornadas de 14 dias contínuos, ficando gravemente prejudicados não só no plano salarial, mas também pelos riscos para a sua saúde, que esta situação causa.

Nesta reunião os dirigentes sindicais reforçaram também as preocupações relacionadas com os trabalhadores dos supermercados e grandes superfícies, que viram o seu ritmo de trabalho acelerado e redobrado, sem que lhes fossem pagas as horas devidas.

O encontro realizou-se no âmbito das Jornadas Legislativas do PCP que se realizam a 18 de Julho, onde se pretende analisar os impactos decorrentes da pandemia COVID-19 no dia a dia dos trabalhadores, sem nunca perder de vista a garantia e salvaguarda dos seus direitos. Como temos vindo a afirmar, não se pode combater a pandemia à custa da perda de direitos dos trabalhadores.