Hélder Spínola defende conceito de ‘cultura ambiental’ para responder à crise ecológica

Sofia Lacerda

Cultura ambiental é um novo conceito para responder à crise ecológica e que será apresentado, esta tarde, por Hélder Spínola, na conferência ‘Entre a Literacia e a Cultura Ambiental’, que decorre esta tarde no Colégio dos Jesuítas, integrada no XV Colóquio do Centro de Investigação em Educação da UMa.

O conferencista e presidente da Comissão Organizadora do Colóquio defendeu esta ideia, de forma a que seja possível “conseguir responder atempadamente, e de forma eficaz, a esta crise ecológica que temos, sabendo que a promoção da literacia ambiental é um processo complexo, difícil e que leva muito tempo”.

“E nós precisamos de algo mais para chegar a esse patamar”, sustentou, acrescentando que “esse algo mais será um conceito que irei apresentar, que é relativamente novo, incipiente, mas que precisa de ser aprofundado, que é o conceito de cultura ambiental”, frisou ao JM e à RDP, momentos antes do início da palestra.

“Nós precisamos que o envolvimento em relação a esta crise ecológica passe por uma transformação social e por uma mudança da nossa cultura, numa perspetiva de ela passar a constituir-se também como uma cultura ambiental”.

Uma questão que, clarificou, “vai muito para além da escola, que tem sido a instituição que mais trabalho tem feito ao nível da educação ambiental”.

Assim, afiançou, a implementação do conceito de cultura ambiental terá de ser “a todos os níveis e a Madeira, por exemplo, tem um contexto, inclusive até de autonomia, que lhe permite definir um caminho a esse nível”, exemplificou.

“Mas claro que a solução para os problemas ambientais implica um envolvimento de toda a humanidade e isso implica escalas ao nível nacional, ao nível europeu, ao nível internacional”, rematou.

Trabalhar propostas que interessem aos alunos

Cecília Galvão foi a oradora da primeira conferência deste colóquio sobre ‘Literacia Científica, Ensino, Aprendizagem e Quotidiano’ e, momentos antes do início da palestra, realçou ao JM que, atualmente, “as crianças exigem muito mais dos professores e os professores têm de estar à altura”.

“Hoje, é fundamental desenvolver competências de raciocínio, de comunicação, de trabalho em equipa, de ter pensamento divergente para poder entender o mundo na sua multiplicidade”, indicou.

Esse acaba por ser “um desafio tremendo para a escola e o que eu venho dizer é que os professores têm que estar nesse desafio e apresentar às crianças propostas e cenários de aprendizagem extremamente estimulantes”.

Nesse âmbito, a docente e formadora de professores trouxe exemplos “de crianças inteligentes, do 1.º Ciclo e do Pré-Escolar, que se distinguem pela estimulação que a escola lhes proporcionou”.

De igual forma, apresentou “três exemplos de professores portugueses criativos, excecionais. Um deles é muito jovem e estimula as crianças através de filmes relacionados com doenças, como o filme sobre Stephen Hawking, ‘A Teoria de Tudo’”.

“As crianças viram filmes como esse, discutiram-nos, o que lhes permite discutir conceitos científicos a partir daquilo que observam nos filmes”, realçou.

É por casos como os que vem encontrando, nas escolas a que vai, que garante que “não precisamos de laboratórios muito sofisticados, nem de estratégicas muito elaboradas. Precisamos de imaginação e de trabalhar com as crianças propostas que lhes interessem: trabalho de projeto, trabalho experimental, do dia a dia, cenários com literatura, por exemplo”, finalizou.