Jovens madeirenses querem alertar para a realidade que se vive na Venezuela

Catarina Gouveia

Cerca de 100 jovens estudantes, de sete escolas da Região, participam hoje no debate ‘A Crise na Venezuela e o Combate à Pobreza’, naquela que é a primeira simulação da ONU na Região.

O mesmo é promovido pelo Madeira MUN (Model of United Nations) 2019, uma organização encabeçada também por jovens, que procuraram trazer para a Região, pela primeira vez, esta que é uma simulação das Nações Unidas destinada a estudantes do Ensino Secundário, que replica aquelas que acontecem desde 1921 em 50 países diferentes.

Bernardo Flôr Rodrigues, um estudante de 12.º ano com apenas 17 anos, que foi um dos vencedores do Prémio Literário Camões em 2018, é o secretário-geral da MadeiraMUN explicou aos jornalistas que, ao conhecer colegas continentais que participavam em iniciativas semelhantes, interessou-se pelo tema após alguma pesquisa, entrou em contacto com Ulrica Lowndes Marques, moderadora do debate de hoje, que na altura integrava uma outra associação, com a qual desenvolveu esta ideia.

Confessou que é “proveitoso” promover algo que nunca antes aconteceu na Região, possibilitando que os jovens madeirenses tenham pela primeira vez o contacto com este tipo de iniciativas, para que possam ficar consciencializados do que os rodeia, pois, segundo realça, “nós temos de ser a mudança que nós queremos ver no mundo”.

“O nosso objetivo é que todos nós possamos chegar a uma conclusão, a um consenso entre todos os países, e assim ver o que se considera ser o mais benéfico”, uma vez que “os direitos humanos estão a ser violados na Venezuela”, a nível de saneamento básico, acesso à alimentação e medicação, entre outros.

O presidente da Câmara Municipal do Funchal, Miguel Silva Gouveia, que esteve a cargo do primeiro de vários discursos da iniciativa, salientou aos jornalistas, antes da sessão, que a CMF, ao possibilitar o debate, procura “que os cidadãos possam intervir e refletir sobre aqueles que são os desafios, não só locais, mas também nacionais e mundiais”.

No que diz respeito à Venezuela, tema que é hoje debatido no Salão Nobre da Câmara Municipal do Funchal, o edil lembrou que a Madeira tem a segunda maior diáspora na Venezuela, um país que “está a atravessar uma grave crise económica que, por sua vez, gerou uma crise social”.

Apelando à reflexão, não só dos jovens como de toda a população, Miguel Silva Gouveia realçou que a Venezuela “é um país de muitas riquezas”. Sendo “a quinta maior economia da América do Sul”, e um sítio “com todas as condições para ser uma economia vigorosa”, certas medidas políticas subverteram essa realidade.

Lembra que não foi por acaso que “vimos muitos dos nossos concidadãos a partir para a Venezuela à procura de melhores condições de vida” e sublinhou que “o que faz falta é a confiança”, nos sistemas político, financeiro e fiscal, pois só quando isto se verificar “a economia vai recomeçar a funcionar”, com a redução da pobreza e as pessoas a voltarem a recolher o fruto do seu trabalho.