Socialista escreve ao “ainda presidente do PS-Madeira”

JM

Ricardo Catanho escreveu uma mensagem pública a Emanuel Câmara, o “ainda presidente do PS Madeira”, com duras críticas e a retirar o seu apoio ao líder socialista.

Num texto na sua página do Facebook e endereçando-a na qualidade de vice-presidente da concelhia de São Vicente, membro da Comissão Regional, da Comissão Política e do Secretariado do PS-Madeira, mas “principalmente como vicentino”, entendeu expor “publicamente” o seu “descontentamento”.

“Quando há dois anos falaste comigo a pedir apoio à tua candidatura à liderança do PS Madeira, disseste-me que São Vicente seria uma prioridade no teu mandato, pois a conjuntura política, à data no meu concelho, era deveras preocupante. Eu acreditei, porque sabia que eras do Norte, eras nosso vizinho e mais facilmente compreenderias a realidade existente”, começou por escrever.

“No entanto, e durante dois anos, não fizemos nada em São Vicente, não consegui ser persuasor nem tive a força suficiente, apesar da minha insistência em sede própria, acabámos por aparecer apenas em época de eleições, ao contrário do nosso principal adversário. E, o culminar desta situação, é olhar para os 19 eleitos do nosso partido e constatar que não há nenhum/nenhuma representante do meu concelho, pior, São Vicente é o único concelho da Região que não está representado”, indicou.

“É verdadeiramente lamentável, Emanuel. O que devo pensar quando ouço Olavo Câmara em plena campanha eleitoral dizer que ‘era uma pouca vergonha e falta de respeito para o Porto Moniz o PSD não ter nenhum candidato nos primeiros 20’ e, em São Vicente, vejo no PS o primeiro candidato apenas em 24.° e o Porto Moniz com dois candidatos nos primeiros 20”, sublinhou.

“Não te posso apoiar mais, Emanuel. O que sinto é que o legado que será deixado por ti é um PS que renega as suas origens, que apaga a memória de muitos que durante anos lutaram pela causa, e entregas um PS cada vez mais elitista e centralista onde as estruturas locais nunca foram tão desconsideradas, sem direito à opinião no futuro/rumo do partido que é de todos nós”, rematou.