Se perder as eleições, Albuquerque não tentará formar governo e demite-se

Alberto Pita

O PSD reuniu hoje as suas tropas para o derradeiro ato de campanha para as eleições de domingo.

Centenas de social-democratas, entre os quais figuras de proa como Alberto João Jardim, Tranquada Gomes, Cunha e Silva e Miguel de Sousa, responderam à chamada do partido, que enfrenta a mais renhida luta pelo poder regional desde a autonomia.

Na distribuição de beijos e mãozadas ao longo da arruada, Miguel Albuquerque dividiu o protagonismo com o histórico líder do partido, Alberto João Jardim, já que ambos seguiam à frente do grupo social-democrata.

A concentração do PSD aconteceu às 18h00, mas ainda antes dessa hora já muitos se juntavam no local.

À chegada para o último evento de campanha, Miguel Albuquerque fez um apelo “a todos os cidadãos para votarem, e votarem bem”, o que, nas palavras do presidente do PSD-M, significa “votar naquele partido que sempre garantiu a defesa intransigente da Madeira e da sua autonomia”.

O líder dos social-democratas não se mostrou preocupado com a abstenção a 22 de setembro, pois “na Madeira ela nunca é muito elevada”, já que muitos dos que estão inscritos nos cadernos eleitorais não votam por estarem emigrados.

Miguel Albuquerque ainda não decidiu o que fazer se não obtiver maioria absoluta, mas há algo já está decidido: “Governar com a esquerda, nunca”.

À pergunta de uma jornalista se admitia continuar a viver na Madeira, Albuquerque respondeu: “Nem sei, isso depende sempre da minha mulher, não depende de mim. Ela é que manda”.

Albuquerque disse também que se demite da liderança do PSD-M se perder as eleições. “Se perder as eleições, com certeza que sim. Eu assumo responsabilidades, não é? Nem vou constituir um governo, como aconteceu a nível nacional, depois de perder. Isso não tem sentido”.

A esta distância, o líder do PSD-M admite ser “possível” uma coligação com o CDS, em caso de maioria relativa, mas insistiu que “neste momento” o que o PSD-M precisa “é de uma maioria expressiva, consistente”.

O presidente do PSD-M explicou ainda por que motivo não pede ao eleitorado uma maioria absoluta: “Eu nunca digo maioria absoluta porque essa expressão está conectada com o exercício do poder absoluto, e isso em democracia não existe”.

A arruada partiu da Placa Central, passou pela Sé, percorreu a Rua do Aljube, atravessou para a Rua Fernão Ornelas, visitou o piso térreo do Mercado dos Lavradores e desceu para a Avenida do Mar e das Comunidades.

Na Rua do Aljube, ao lado da Sé, os militantes do PSD cruzaram-se com um pequeno grupo de jovens que empunhavam cartazes a sensibilizar para as condições climáticas.

“Estamos aqui para sensibilizar para a próxima greve pelo clima, no dia 27, às 15h00, em frente à Assembleia Legislativa da Madeira”, explicou Guilherme Mendes, um dos jovens que exibiam cartazes com frases em defesa do ambiente.

“Somos completamente livres de partidos, simplesmente somos cidadãos preocupados que se juntaram com um objetivo comum; não temos qualquer ligação partidária ou a associações”, acrescentou.

A arruada do PSD terminou com a concentração dos militantes junto à Praça da Autonomia.