"O feminismo é a igualdade de direitos não é um bicho papão" - diz Guida Vieira

Iolanda Chaves

Associadas da UMAR Madeira celebraram esta tarde os 43 anos do movimento feminista, com um bolo e um brinde no Jardim Municipal.

Guida Vieira, sócia-fundadora, disse ao JM, que a UMAR, do tempo revolucionário, lutava "pelo direito à casa, ao trabalho e ao salário", estando atualmente dedicada a outras causas, nomeadamente à luta contra a violência doméstica e à defesa das mulheres.

"Tirar o agressor de casa, e não ser a vítima e os filhos a saírem, é algo que deve ser feito. Do ponto de vista do Código Penal, este é um problema que tem de ser resolvido. Nós fazemos trabalho de prevenção, formamos jovens mulheres, para nas escolas, conjuntamente com pais, professores e alunos conseguirem debater estas questões por forma a que as crianças sejam preparadas para se comportarem como seres humanos felizes e completos, sem preconceitos", acrescenta.

O trabalho com as escolas começou há cerca de dois anos, este ano, em maio fizeram um seminário e o resultado, na opinião de Guida Vieira, "foi emocionante" pelo que os jovens revelaram ter aprendido relativamente aos Direitos Humanos. "Apreenderam a importância de ser gente de paz, de bem, de tratarem as pessoas com respeito. Isso é tão bom! É disso que precisamos, de uma sociedade de paz, de bem estar e de respeito", sublinha.

Estando a decorrer um período eleitoral, a histórica fundadora da UMAR Madeira, que foi deputada regional entre 2000 e 2004, lamenta a fraca representação feminina na Assembleia Legislativa da Madeira, desde logo porque são as mulheres que melhor conhecem os problemas que as afetam em matéria de desigualdade.

"Achamos que a Lei Eleitoral da Madeira tem de ser alterada e não pode continuar a ser uma lei que permita a uma lista ter apenas homens, por exemplo", sustenta.

Sobre o que é o feminismo, Guida Vieira, que é Conselheiro para a Igualdade na Câmara do Funchal desde 2014, diz-nos que ao contrário do que as pessoas pensam "o feminismo é a igualdade de direitos, não é um papão. Defendemos direitos iguais. isso é o feminismo. Há homens que são feministas porque concordam que devem haver direitos iguais".

Aos 69 anos, Guida Vieira diz que é tempo de dar o lugar às associadas mais novas e pensa que o futuro do movimento está assegurado.