Paulo Cafôfo denuncia ação de “medo” sobre as pessoas

Alberto Pita

O candidato do PS a presidente do Governo Regional insurgiu-se hoje contra a ação de “medo” que diz estar a ser feita sobre madeirenses.

Durante os Estados Gerais da Autonomia, uma iniciativa do Partido Socialista promovida no Centro de Congressos da Madeira, Paulo Cafôfo contou um episódio que viveu hoje de manhã, na Festa das Vindimas, no Estreito de Câmara de Lobos.

“Havia uma senhora bordadeira que me contava que eles dizem que se continuarem e ganharem as eleições, vão duplicar o apoio às bordadeiras, mas que se for o [Paulo] Cafôfo a ganhar, vão cortar tudo aquilo que a gente tem direito a ganhar com o nosso trabalho”, relatou, demarcando-se desta “forma de exercer o poder”.

“O medo não está em Lisboa, nem está no Cafôfo ou no PS. O fantasma está na pessoa que não tem emprego, na família que não tem uma casa ou no aluno que tem de abandonar a escola porque não tem as condições sociais e económicas para ter o sucesso educativo; o medo está quando a gente só privilegia os amigos e não tem um olhar sobre todos os madeirenses e porto-santenses”, afirmou o candidato apoiado pelos socialistas.

A ações de "medo", Paulo Cafôfo responde com “valores da dignidade humana, da Justiça e do combate às desigualdades”.

“Os madeirenses não querem esmolas, nem caridades, querem uma oportunidade”.

“Sabemos como é difícil nesta terra dar a cara por um partido que não é o do poder”, declarou, antes de elogiar a “coragem” das pessoas que o apoiam e que o leva a considerar que a sua candidatura está “no ponto de rebuçado para ganhar as eleições”.

Perante uma sala do Centro de Congressos da Madeira cheia [o evento não decorreu na sala principal, mas numa menor], Paulo Cafôfo explicou também o que separa os socialistas dos social-democratas, em matéria de defesa da Autonomia.

“Encaro a autonomia de uma maneira diferente da do PSD. A autonomia é termos a capacidade de sermos senhores do nosso destino. Nunca vou utilizar a autonomia para pôr madeirenses contra madeirenses. A mim custa-me ouvir que há uns bons e outros maus, que uns estão a favor do progresso e outros contra. Eu não entendo isso”, afirmou, concluindo que a “discussão” sobre o tema “está inquinada”.

Para o candidato, “a autonomia foi o melhor instrumento em 600 anos de história da Madeira, e não é um favor de ninguém”.

Perspetivando o futuro, considerou que “os próximos dez anos são tão importantes como os primeiros dez anos da autonomia”, e disse tem um programa do Governo com ideias para que “as pessoas vençam na vida”, ao contrário do PSD que tem como “única ideia dizer mal de Lisboa e de António Costa”.

Defendeu que a autonomia seja exercida com “firmeza”, “responsabilidade” e “determinação”, e de forma “inteligente”, sem a “postura de gritaria" que hoje “apenas serve um partido”.

Afirmou, por fim, que “o PS nacional sempre respeitou mais a autonomia do que o PSD, e que o “o momento mais negro da autonomia foi protagonizado com o PSD no poder no continente e na Madeira", quando se deu a "capitulação da autonomia feita pelo PAEF – Plano de Ajustamento Económico e Financeiro”, que obrigou a Madeira a “agachar-se”.