SIADAP é “instrumento de controlo para garantir a obediência às chefias”, denuncia BE

JM

O SIADAP (sistema de avaliação de desempenho) “funciona como instrumento de controlo para garantir a obediência aos governantes e às chefias”, denunciou hoje o Bloco de Esquerda, numa iniciativa junto ao Governo Regional sobre este tipo de avaliação.

Paulino Ascenção afirmou que “a Administração Pública existe para ajudar os cidadãos, não para satisfazer os interesses dos governantes e do partido no poder”.

E se, referiu, “antes apontava-se uma injustiça ao sistema de avaliação, que todos avançavam ao mesmo ritmo sem premiar o mérito”, “agora a perversidade é maior, pois quem tem valor, a maior parte das vezes continua sem ser premiado, e até fica para trás. E os mais obedientes e servis é que progridem mais rápido”, censurou.

Mais disse que “o SIADAP confere uma grande arbitrariedade às chefias, para atribuir a classificação, na definição dos objetivos e na avaliação final. Há critérios político-partidários e de fidelidade pessoal que contam mais que o desempenho”.

“Um funcionário, ao ritmo normal, precisa de 140 anos para atingir o topo da carreira, são 10 anos para cada nível, a maioria nunca chegará a meio da tabela”, frisou.

“No descongelamento das carreiras houve muitas injustiças que devem ser corrigidas. Funcionários consumiram 10 pontos (10 anos de antiguidade) para avançar um nível, outros, com os mesmos pontos, progrediram apenas meio nível. Para uns, 10 pontos permitiram subir o salário em 100€, para outros apenas 30 ou 40, essa injustiça deve ser reparada”, referiu.

“Os dirigentes são privilegiados na atribuição das classificações de ‘muito bom’ e ‘excelente’, sujeita a quotas e que lhes permite progressão mais rápida”, realçou ainda.

Assim, o coordenador bloquista terminou a defender que “não basta mudar as pessoas no Governo e deixar tudo a funcionar na mesma, é fundamental mudar as regras, mudar o sistema”.