Posição do bispo sobre uniões homossexuais 'cai mal' ao Madeira Pride

Foi na sequência das declarações prestadas pelo Bispo do Funchal, no âmbito das comemorações do Dia Internacional da Família, que a Comissão Organizadora do Madeira Pride emitiu um comunicado a discordar com a sua posição.

Numa conferência intitulada "O papel da família na construção de uma sociedade em constante mudança", ocorrida na passada terça-feira, D. Nuno Brás enalteceu a importância da família ao nível do carinho, do amor e na construção do ser humano. O bispo falou ainda que, na diferença, todos precisamos uns dos outros, que respeita e que a sociedade deve respeitar os homossexuais. Apesar disso, D. Nuno Brás invalidou as uniões homossexuais, pois considerou-as contraditórias e com falta de uma série de caraterísticas.

Posição que não terá 'caído' bem aos membros desta organização, que defende que "a sociedade está em constante mudança". Para o Madeira Pride, isso implica que "os conceitos e normas sociais evoluam e se diferenciem de geração em geração, e até de instituição para instituição".

"Acreditamos que, atualmente, o conceito de família é vasto e abrangente, e que nenhuma instituição deve ter o poder da verdade absoluta sobre a definição de uma família", lê-se na mesma nota, onde consideram que "numa sociedade igual em direitos, o casamento entre pessoas do mesmo sexo é um instrumento que, para muitas pessoas LGBTI+, é um passo importante na constituição da sua família, tal como o é para muitos casais de pessoas de género diferente". "Na família reside o amor, a empatia, o carinho e a compreensão, o que é esperado que haja em qualquer seio familiar funcional e que o há também em famílias arco-íris", prosseguem.

"O respeito para com as pessoas e para com as comunidades em geral começa, acima de tudo, com o reconhecimento das suas famílias e dos seus direitos humanos", acrescentam, lembrando que o casamento está consagrado no Artigo 16.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos, indicando que "a partir da idade núbil, o homem e a mulher têm o direito de casar e de constituir família, sem restrição alguma de raça, nacionalidade ou religião", sendo que "durante o casamento e na altura da sua dissolução, ambos têm direitos iguais". "No caso de não se reconhecer as pessoas LGBTI+ iguais em direitos, não se pode falar de respeito, mas sim de tolerância", sublinham.

A Comissão Organizadora do Madeira Pride considera "importante o debater e a partilha de conceitos importantes para a sociedade", porque "muitas vezes estes debates podem ser uma oportunidade para o alastramento da desinformação e a uma abertura para o discurso de ódio".

Sendo assim, o Madeira Pride enaltece que a família é onde existe amor. "O amor dos amigos, das amigas, das mães, dos pais, dos avós e dos animais de estimação, e até o amor próprio, é o que forma as famílias funcionais dos dias de hoje. Famílias diferentes, mas iguais!", concluem.