Pacheco Pereira defende que aquilo que devem tirar a Berardo é "o sorriso na cara"

Para José Pacheco Pereira, a postura de Joe Berardo na comissão parlamentar de inquérito à gestão da Caixa Geral de Depósitos revela "impunidade".

Pacheco Pereira falava na Circulatura do Quadrado, onde se discutia o assunto. O resumo é publicado hoje no Diário de Notícias de Lisboa.

Para o investigador, aquele é um riso de "faço o que quero, peço o dinheiro que quero, dão-me o dinheiro que quero, estouro o dinheiro que quero. E não tenho contas a dar porque não tenho. Coitado, sou pobre, não tenho um tostão".

Por isso, Pacheco Perreira defendeu que o importante não é tirar as comendas a Berardo, mas o sorriso. "É o sorriso que quero tirar. O homem está a gozar com os deputados, não está a prestar nenhuma declaração útil, é convidado numa casa que tem significado institucional e comporta-se daquela maneira? É para a rua!", acrescentou.

A prestação do empresário madeirense acabou por dominar o programa, emitido pela TVI e TSF, com António Lobo Xavier a argumentar que, apesar de tudo, Berardo não fez o mesmo que a generalidade dos nomes que têm sido ouvidos na comissão de inquérito. "Disse a verdade, ao contrário de boa parte das pessoas que lá vi passar. Só lá vi pessoas a dizer 'não sei', 'não vi', 'não assinei', 'não estava no banco no dia em que emprestaram'. Só vi conversa de 'lero-lero' - como se diz na conversa de café - e só vi mentiras. O Berardo sempre foi assim, um parvenu, matreiro, finório, com dificuldades de expressão e de articulação, mas com muito appeal mediático por causa disso, aproveitador dos ventos políticos... Só descobriram agora que ele é assim?".

Jorge Coelho alinha pela mesma ideia: "Só lhe descobriram agora os defeitos todos?" . E Pacheco Pereira defende que Berardo está a funcionar como um pára-raios que serve para ocultar outros: "O crédito em Portugal, durante um certo tempo, foi político. Foi controlado politicamente por pessoas que eram colocadas na Banca, com responsabilidade no crédito, para o usarem como um instrumento político".

Outro ponto em que os comentadores convergiram foi o de que Joe Berardo tem muito para contar. "Este homem conta o que sabe. Qualquer dia, conta as reuniões que teve. Vai contar o modo como se fizeram os contratos. Gritem, apertem com ele, porque ele vai contar. E ele sabe muito!", disse Lobo Xavier, secundado por José Pacheco Pereira: "Se há coisa de que tenho a certeza é que Joe Berardo vai dizer tudo o que lhe apetece sobre quem quer que seja e o que foi feito".