Região deve apostar na Tele-Saúde

Susy Lobato
Especialistas na área da telemedicina vieram à Região alertar para a necessidade de incorporar as novas tecnologias de informação e comunicação nos cuidados de saúde, transmitindo alguns exemplos de sucesso a nível nacional, com «êxitos inegáveis». Como exemplo, Luís Gonçalves, presidente da Sociedade Ibérica de Telemedicina e Tele-Saúde, referiu que na área da monitorização da insuficiência respiratória, as ferramentas de telemedicina já «permitiram diminuir o número de internamentos em 50% e as idas às urgências em 40%», tudo «porque foi possível diagnosticar o seu agravamento precocemente». «Aqui na Madeira, esta ferramenta da tele-monitorização tem toda a aplicação, nomeadamente porque existem muitas pessoas idosas a viver nos lombos», referiu, ciente de que essa deverá ser «uma decisão das autoridades locais». Também através da ferramenta de tele-triagem/rastreio tele-dermatológico, Luís Gonçalves transmitiu que «foi possível reduzir o tempo de espera para uma consulta presencial, reduzido de 300 para 18 dias o tempo de espera». Nos Açores, também já está a ser implementada desde 2015 a ferramenta de tele-ferida, onde «já foi possível registar ótimas taxas de cicatrização, permitindo fazer uma uniformização da prestação de cuidados nas ilhas todas», conforme referiu Pedro Rosa, responsável pelo projeto nos Açores, também presente na conferência organizada pela Ordem dos Enfermeiros, que decorreu esta manhã no hotel Four Views Monumental Lido. Uma conferência que, segundo o presidente da Secção Regional da RAM da Ordem dos Enfermeiros, «destina-se a dinamizar a questão da importância da incorporação das tecnologias de informação e comunicação nos cuidados de saúde», reconhecendo que «temos uma população que vive mais e, vivendo mais, as situações de doenças também aparecem mais». «É importante que as pessoas consigam que essa vida acrescida seja vivida com qualidade, que se sintam seguras e que tenham saúde e bem-estar, estando devidamente apoiadas sobretudo para que quando necessitem de um profissional de saúde possam tê-lo rapidamente», explicou Élvio Jesus, lembrando ainda que grande parte das pessoas, «devido à orografia da ilha, vivem muitas vezes em sítios onde o carro não chega e, pior que isso, têm de subir ou descer degraus, veredas e, se as pessoas têm falta de ar, ou se não têm força nas pernas, não conseguem sair de casa». No final, o responsável congratulou-se pelo facto de o secretário regional da Saúde já ter feito o anúncio da aposta na área. Ferramentas que, a seu ver, irão promover a «sustentabilidade dos serviços de saúde porque ajudam a dar melhores respostas aos cidadãos, com menores custos, libertando meios para aquelas situações onde a interação física entre os profissionais e os utentes é necessária».