Danilo Matos acusa Governo Regional de "brincar com o risco e a vida"

Numa publicação na sua página do Facebook, o antigo diretor do Departamento de Planeamento Estratégico da Câmara do Funchal, Danilo Matos, lança duras críticas ao Governo Regional, acusando-o de adiar e abandonar as obras de segurança básicas e mais urgentes ao longo da "principal e mais perigosa ribeira da cidade" (Ribeira de Santa Luzia), brincando com "o risco e a vida".

Aqui se transcreve a publicação na íntegra:

Uma questão de cidadania

Uma vez mais a Ponte Nova

O cartaz da provocação e da mentira

1 - Uma questão prévia: gostaria de saber se a Câmara Municipal autorizou a afixação deste cartaz de propaganda política num monumento classificado de “interesse municipal”.

2 - A colocação desta tabuleta em cima daquela Ponte é desde logo uma provocação à cidade, porque o Governo Regional fez tudo para a demolir e adulterar a sua autenticidade construtiva e histórica. A sua existência deve-se apenas ao movimento de indignação de milhares de cidadãos que se manifestaram e disseram que não. Restou ao GR recuar.

3 - A outra provocação, para além da fotografia de fundo estampada de vigas de betão, está em classificar o que foi feito de “Estabilização da Ribeira de Santa Luzia”. Não houve estabilização nenhuma. O que fizeram foi destruir uma das Memórias mais singulares da História da Cidade. Meteram a herança da obra do Engenheiro Reinaldo Oudinot, especialmente as muralhas centenárias, num sarcófago de betão, derribaram duas pontes históricas - a do Cidrão e a da Saúde - e mudaram a imagem da Cidade. Estabilizaram, sim, a carteira de alguns empreiteiros.

4 - “Madeira com + segurança à população” - é uma Mentira. Passaram-se 9 anos, gastaram-se 700 milhões de euros da Lei de Meios e continuamos sem uma estratégia clara para atacar as causas das aluviões. Para falar só da Ribeira de Santa Luzia, onde esta mentira foi publicitada, aproveito para chamar a atenção apenas para o seguinte:

5 - Ficou definido, desde o início, que a ribeira deveria ser intervencionada com urgência ao longo do seu percurso entre a foz e a ponte dos Tornos, numa extensão de 6 300 metros, vencendo uma diferença cota de 600 metros, aproximadamente. Até agora, como está à vista de todos, a intervenção parou na ponte dos Viveiros, a 1830 metros da foz, falta ainda regularizar a ribeira numa extensão de 4 500 metros que, por acaso e infelizmente, concentram as situações de maior risco para a cidade;

6 - Essas situações de risco a começar no atrofiamento da secção de vazão da ponte dos Viveiros e a acabar na pedreira e central de betão da Brimade são assustadoras; estas últimas, como mostro nas fotografias juntas, já deveriam ter sido desactivadas, mas continuam a laboração como se nada tenha acontecido;

7 - O adiamento e o abandono das obras de segurança básicas e mais urgentes ao longo da principal e mais perigosa ribeira da cidade é brincar com o risco e a vida. Eu poderia enumerar aqui tudo o que tinha obrigação de estar já executado e não está. Convido-vos a fazer a viagem que eu já fiz várias vezes. Prometo que vou voltar a escrever com mais pormenor sobre isto, até porque o projecto que me facultaram é um “desastre” e passa ao lado de questões mais importantes para a segurança futura da cidade, designadamente as que aqui já referi.

A cidade com mais segurança?

A 22 de setembro ajustamos contas.