«Avião está preparado para este tipo de relevo»

Susy Lobato

O avião utilizado hoje para testar o combate a incêndios na Região «tem capacidade para operar nestes cenários» e «está desenhado para este tipo de orografia», afirmou o comandante e diretor de operações de voo da aeronave Air Tractor.

Carlos Craveiro falava após observar as várias operações realizadas na zona do Terreiro da Luta, onde declarou que «o avião tem determinadas especificações» e está preparado para este tipo de relevo.

«Da minha parte, posso validar a nossa operação com a utilização deste avião», transmitiu, adiantando, contudo, que as conclusões serão feitas pela tutela, que irá, depois, emitir um relatório ao Governo Regional, entidade que, no final, irá decidir a utilização ou não dos meios aéreos.

Apesar de os testes terem sido efetuados em condições estáveis e muito diferentes às verificadas em agosto do ano passado, aquando dos últimos incêndios, o comandante lembrou que «não é só na Madeira que existem ventos», adiantando que já foram feitas operações em outros partes do mundo, nomeadamente em Itália, «cujos relevos são complicados e onde os ventos fortes são, por vezes, também uma realidade».

A grande vantagem deste avião, acrescentou, é no ataque inicial. «Convém que o avião esteja sempre posicionado na Madeira (...) de forma a poder ser ativado o mais cedo possível», alertou Carlos Craveiro, transmitindo que, a ser aplicado na Região, esse deve ser um factor a ter em conta.

O Air Tractor (aceda ao vídeo clicando aqui) faz uma descarga de cerca de 3.300 litros, uma capacidade muito superior à do helicóptero (ver aqui) também hoje testado, cuja possibilidade de armazenamento ronda os 700 litros.

Após cada descarga, este avião tem de deslocar-se ao Aeroporto da Madeira, uma tarefa que o comandante considera «normal», lembrando que, para missões de proteção civil, estes aviões têm sempre prioridade.

No local estiveram várias entidades, nomeadamente o secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, que transmitiu que «a experiência ainda é pouco conclusiva», já que tratou-se apenas de um «teste, cujo resultado final poderá ser positivo ou negativo».

Jorge Gomes explicou que a avaliação depende de uma análise dos técnicos que, posteriormente, irão transmitir ao Governo Regional o resultado do estudo.

Em relação aos gastos, o governante considerou que eles «não existem», tendo em conta o interesse e o bem público, adiantando, ainda assim, que o custo efetivo «é meramente operacional» e que «não deverá ultrapassar os cinco mil euros».

A secretária regional da Inclusão e Assuntos Sociais, Rubina Leal, disse que «o desejo do Governo é que se encontre uma solução adequada», lembrando que «a operação implica não só os meios operacionais, mas também a parte financeira», aspetos que serão devidamente avaliados para o melhor da Região.