“O ferry é um falhanço completo do Partido Socialista da Madeira”

Catarina Gouveia

Miguel Albuquerque afirma que o Governo da República se está “nas tintas” para a mobilidade dos madeirenses, tal como o PS Madeira, por ter chumbado a proposta do PSD que visava o financiamento do ferry todo o ano.

Numa referência à expressão ‘murro na mesa’, que fez manchete no JM em abril, dando conta da reunião entre Paulo Cafôfo e António Costa, Albuquerque começou por referir que “houve uns candidatos da esquerda que disseram que foram a Lisboa dar murros e reivindicar, e nada acontece porque é só conversa fiada.”

“Quando olhei para o Orçamento de Estado, não estava nada escrito sobre a ligação ferry para a Madeira. Quando apresentámos uma proposta com o financiamento do ferry todo o ano, essa proposta do PSD foi chumbada na Assembleia da República pelo Partido Socialista, incluindo os próprios deputados do PS eleitos pela Madeira”, afirmava o presidente do Governo Regional à comunicação social, durante uma visita às obras em curso na Cota 500.

Referindo-se a uma entrevista emitida esta sexta-feira pela RTP Madeira, Albuquerque reforça que o que disse foi que “independentemente que o Estado tenha apresentado agora um plano de financiamento para mobilidades, acessibilidades e infraestruturas, de 20 mil milhões de euros até 2030 – obviamente que se trata de conversa fiada para o futuro -, não está consubstanciado nenhuma verba para financiar a ligação permanente marítima para a Madeira”.

Como tal, “isso significa que a única força que vai cumprir o seu compromisso com os madeirenses vai ser o governo da Madeira, porque nós garantimos, nos próximos dois anos, a ligação ferry durante o verão.”

O presidente do Governo sustenta dizendo que a vinda do ferry para a Madeira vai favorecer a Região, nomeadamente a nível do turismo.
“Quem paga são os madeirenses, ao contrário do governo de Espanha, que financia em 75% a ligação marítima de mercadorias e passageiros entre as Canárias e o território continental Espanhol”, acrescenta.

Assegura assim que “o Governo português está-se ‘nas tintas’ para a mobilidade dos madeirenses” e para a “necessidade de afirmação da plataforma continental de Portugal através da dimensão arquipelágica”, acusando a República de não garantir uma ligação marítima de passageiros e mercadorias financiada entre as ilhas e o território continental. “Mais uma vez, vamos ser nós a assumir esse ónus”, conclui.

O ferry é o assunto que está a marcar este sábado. Durante a II Convenção dos Estados Gerais do PS-M, Cafôfo defendeu a ligação por ferry com o continente o ano inteiro, considerando que “temos de equacionar outros portos para além de Portimão, nomeadamente Lisboa”. Mais tarde, a ministra do mar, Ana Paula Vitorino, apontou que está a trabalhar com o Ministério das Finanças na elaboração de uma portaria sobre a continuidade territorial por via marítima que ligue esta região ao continente.