"Um porta-contentores não substitui o ferry", afirma Bloco de Esquerda

JM

Paulino Ascenção, coordenador do Bloco de Esquerda na Madeira, considera que a operação de transporte de passageiros hoje avançada num navio porta-contentores “é uma fantochada”.

Conforme referiu, “foi anunciado hoje o início do transporte de passageiros em navio porta-contentores desde o Caniçal para Leixões, e depois até Lisboa, pelo grupo Sousa. O tempo da deslocação até à capital será de 52 horas, a que acresce o tempo das operações de carga e descarga no porto de Leixões, e a capacidade é de sete passageiros”.

Uma situação que, no seu entender, é “uma fantochada, para depois vir dizer que não se justifica haver ‘ferry’ o ano inteiro, pois já existe transporte marítimo de passageiros”, criticou.

Por esse motivo, Paulino Ascenção defende que “um porta-contentores não substitui um ferry: a capacidade (sete passageiros) é ridícula; o tempo de viagem é quase o dobro do ferry até Portimão; a estabilidade do navio, que não foi concebido para o transporte de passageiros, torna a viagem muito mais tempestuosa”.

A par disso, sustentou que “a utilidade do ‘ferry’ não se esgota nos passageiros, tem vantagem nas mercadorias como os produtos frescos, pois a viagem e o tempo de carga e descarga são bem mais curtos, ou os automóveis”.

Dessa forma, frisou que, “em nome do interesse público, o Bloco de Esquerda continua a defender a existência de uma linha ‘ferry’ entre a Madeira e o continente durante o ano inteiro e desafia os demais partidos, em particular os que apresentam a ambição de governar a Região, de se comprometerem com a defesa do interesse geral da população e a combaterem os monopólios”.