Maioria dos jovens que vão estudar para o exterior não retorna às ilhas, diz Avelino Meneses

Cláudia Ornelas

O Secretário Regional da Educação dos Açores, Avelino Meneses, afirmou hoje que a saída dos jovens das regiões autónomas para estudarem no território continental deve ser estudada, uma vez que a maioria não retorna as ilhas.

Avelino Meneses é um dos oradores do evento ‘Novas Conferências do Casino 2018’, organizado pelo Diário de Notícias da Madeira, em parceria com a Secretaria Regional da Educação, que decorre esta manhã na Sala de Congressos do Casino. O secretário explica que este facto pode resultar num défice de qualificação nas ilhas, numa época em que o conhecimento e a educação os principais motores do desenvolvimento.

O excesso de oferta do ensino superior a nível do país contribui para a saída dos estudantes, sendo que as instituições mais antigas continuam a reunir a preferência da maioria dos candidatos, acrescentou Avelino Meneses.

Um problema que foi ressaltado também pelo secretário regional da Educação da Madeira que discursou sobre a capacidade que os espaços insulares têm para conseguir captar os seus jovens talentos.

Jorge Carvalho garantiu que a formação de qualidades disponibilizada pelos espaços insulares aos jovens, não é sinónimo de fixação dessas gerações. “Antes pelo contrário, com essa capacidade de formação posicionamos os nossos jovens para serem competitivos no espaço global”.

O secretário frisou que devem ser encontradas soluções para que esses jovens possam regressar e desenvolver a sua atividade nos espaços insulares. Jorge Carvalho sublinhou que o défice de natalidade é característica comum dos arquipélagos da Madeira, Açores e Canárias e está relacionado com a capacidade das ilhas para reter as novas gerações com capacidade de reprodução.

“Temos aqui quase que um paradoxo. Apostamos de forma muito significativa na qualificação dos nossos recursos, mas por outro lado temos alguns handicaps na fixação desse mesmos jovens nos espaços insulares, fruto da exiguidade que é necessário perceber, seja do mercado em termos de oferta de emprego, seja daquilo que é apetência pelos grandes centros de desenvolvimento tecnológico”, declarou.

Nota para a presença do vice-concelheiro da Educação e Universidade do Governo de Canárias, David Pérez-Dionis Chinea, que afirmou que as dificuldades das ilhas ultraperiféricas europeias podem ser transformadas em oportunidades, pois as mesmas têm uma forte presença no setor do turismo. O representante acrescentou que uma estratégia da Educação está a ser desenvolvida nas ilhas Canárias, para que os jovens estejam preparados para o mundo globalizado em que vivemos. Explicou que a mesma passa não só pelo estudo das línguas estrangeiras, mas também pelo contacto das gerações mais novas com outros países e culturas, um fator que aumenta a sua formação e possibilidade de empregabilidade.