“Só o medo de atuação política não resolve o problema do Aeroporto da Madeira”

David Spranger

O presidente da Associação Portuguesa de Agências de Viagens de Turismo (também) quer soluções para o Aeroporto da Madeira.

Está encerrado o 44.º Congresso da APAVT, que ao longo de três dias decorreu em Ponta Delgada. No encerramento, Pedro Costa Ferreira, fez o balanço dos trabalhos, dedicando alguns minutos da sua intervenção ao Aeroporto da Madeira. Disse, o presidente da Associação Portuguesa de Agências de Viagens de Turismo.

“Sim, o aeroporto da Madeira enfrenta uma situação anacrónica, em que a tecnologia que hoje existe nas aeronaves e aeroporto, estão limitadas por uma legislação de 1964, e onde apenas o medo de atuação política pode justificar a inexistência de ação”, conforme as suas palavras, ovacionadas pelos cerca de 600 congressistas, num sinal claro que que os constrangimentos entraram na agenda de todos os agentes turísticos.

No resto do seu discurso, Pedro Costa Ferreira trouxe à tona também “o aeroporto de Lisboa, que é um problema e não adianta virem dizer que estamos a falar sempre da mesma coisa. Falaremos até que o problema esteja resolvido”.

Disse ainda que “o crescimento anterior não garante o crescimento futuro, e isso não tem nada que ver com falta de auto-estima, tem que ver com perceção do futuro e planeamento”. E, mais ainda, “como tive o cuidado de dizer na abertura do congresso, falar em final de ciclo, nada tem a ver com a perpectiva de decrescimento, tem a ver exatamente com a vontade de continuar a crescer!”

Prosseguindo, “é porque queremos crescer no futuro que temos que ter melhores estatísticas; é por querermos crescer no futuro, que seria importante acordarmos num critério de acompanhamento da atividade; e sim, tudo indica que o acompanhamento da receita parece ser o critério mais razoável”.

E, “é por querermos crescer no futuro que devemos combater a politização do turismo, a híper regulamentação ou a esquizofrenia legislativa. Como tão bem nos lembrou o Adolfo Mesquita Nunes, não podemos, na mesma semana, acolher o Web Summit, dar uma canelada no alojamento local e ainda um puxão de orelhas à Uber. É que a rapaziada que esteve no Web Summit, além da hotelaria tradicional, frequentou o alojamento local, tendo-se deslocado de Uber...”

Num outro âmbito, “saímos daqui com a certeza de que, do mesmo modo que a formação é o único caminho que conduz à melhoria da qualidade do serviço, sabermos inserir as nossas empresas na economia digital será vital”.