Nelson Veríssimo pergunta ao bispo se “o povo de Deus” não quer restaurar outros espaços da Diocese

Miguel Silva

E a capela de São Paulo? E o antigo Seminário da Encarnação? As perguntas são do historiador Nelson Veríssimo e surgem em comentário à notícia do JM sobre a posição do bispo no caso da capela das Babosas.

Esta manhã, a Diocese do Funchal saiu em defesa da recuperação da capela, conforme anunciou o Governo. O investimento, de 400 mil euros, vai ter início ainda este ano e foi contestado ontem pelo padre José Luís Rodrigues numa carta aberta ao presidente do Governo Regional.

Já hoje, André Escórcio, antigo líder parlamentar do PS-M, acrescentou mais dados sobre o caso, elogiou a atitude do pároco de São Roque e criticou o silêncio da Diocese e do bispo.

Porém, sensivelmente à mesma hora, a página da Diocese no Facebook publicava um pequeno texto onde fazia a defesa da obra, conforme anunciado pelo Governo. “É vontade e um grande desejo de todo o Povo de Deus construir a réplica da Capela das Babosas”, anunciava o bispo.

E já esta tarde, Nelson Veríssimo comentou essas palavras lembrando imóveis que precisam de restauro. Escreveu assim: “Diz o Senhor Bispo do Funchal que o povo de Deus quer a construção de uma nova capela nas Babosas, freguesia do Monte.
E eu pergunto: e não quer o restauro da Capela de São Paulo, situada na vizinhança do Paço Episcopal, fundada no século XV por João Gonçalves Zarco, imóvel classificado do Património Cultural da RAM, que ameaça ruir e está encerrado ao culto há já alguns anos? E não quererá também uma solução para o antigo Seminário da Encarnação, que se encontra abandonado e a degradar-se e poderia ter uma função social em favor do próximo, como prega a Igreja?”

O professor da Universidade da Madeira acrescenta ainda mais um comentário: “Parece que a interpretação da dita vontade do povo de Deus só é publicitada quando a verba (400 mil euros) sai, por deliberação do GR, dos bolsos dos madeirenses e porto-santenses que trabalham e pagam os seus impostos, dever cívico que o clero está isento!”