Babosas: padre escreve a Albuquerque sobre a “baboseira” e “inutilidade de se reconstruir a capela”

Miguel Silva

O padre José Luís Rodrigues assina hoje, no seu blogue pessoal ‘O Banquete da Palavra’, um texto em jeito de “carta aberta” ao presidente do Governo Regional. O desabafo vem acompanhado de algumas críticas diretas e um alerta contra a “inutilidade de se reconstruir a capela das Babosas”.

O pároco de São Roque e São José, conhecido pela frontalidade dos seus comentários, lembra que antes de Albuquerque partir para férias deixou a garantia de que a capela das Babosas, no Monte, vai ser reconstruída e que as obras serão iniciadas ainda este ano. Vão custar cerca de 400 mil euros. “Uma pipa de massa”, considera o sacerdote. Sobretudo “para um imóvel que não se vê qual a sua necessidade pastoral nos tempos que correm e mais ainda se nos recordamos dos tempos apertados da austeridade, que entre nós não parecem dar-nos tréguas.”

O padre tem dúvidas que a reconstrução da capela das Babosas, que foi totalmente dizimada nas enxurradas do 20 de fevereiro de 2010, corresponda mesmo a “uma aspiração e desejo da população”. E alerta que mais importante do que investir nessa obra, é investir na saúde ou na educação. Ou então no restauro da própria igreja do Monte que “acusa graves necessidades”.

Na carta a Miguel Albuquerque, José Luís Rodrigues lembra que a gestão de bens públicos obriga a uma criteriosa gestão. Acrescenta que a capela das Babosas, antes de 2010, servia essencialmente de capela mortuária e observa que se é para isso que se vai custar 400 mil euros, então “é preciso lembrar que a Câmara Municipal do Funchal resolveu o problema com a construção de uma capela mortuária nova de raiz junto ao cemitério do Monte e que está a funcionar em pleno.”

Assim sendo, o padre de São Roque e São José afirma que “por aqui, se vê mais uma razão para inutilidade de se reconstruir a capela das Babosas, só por causa da "baboseira" de alguns ou então só para que se faça mais um mausoléu inútil para degradar-se com o passar do tempo.”

O sacerdote adianta ainda que o que não faltam são imóveis a degradar-se. “Foram custeados ‘naquele tempo’ pelo Governo Regional sem qualquer critério e sem freio nenhum quanto aos valores investidos em cada um. Uma desgraça que ajudou a sangrar ainda mais o povo madeirense”, observa José Luís Rodrigues.

“Assim sendo, pode ficar a ideia de que se vai fazer outra vez uma capela sem critério nenhum e sem necessidade pastoral absolutamente nenhuma, para pretexto de mais uma festa de inauguração com pompa e circunstância com fins eleitorais. Esta política para encher egos leva-nos ao porto seguro da banca rota e não haverá nenhuma capela ou Santa ou Santo que nos valha”, conclui o padre madeirense.

A carta aberta ao presidente do Governo Regional termina com dois parágrafos importantes. Num, fica a garantia de que o apelo contra a não reconstrução da capela das Babosas não é exclusivo de José Luís Rodrigues, antes pelo contrário. Muitos “imploram que exponha este meu pedido”. No outro fica o desejo de que Albuquerque reconsidere a decisão tomada e a ideia de que não há apenas “capelas religiosas…”