Sindicato "preocupado" com encerramento do Serviço de Fisioterapia no Porto Moniz

Tânia R. Nascimento

O Sindicato Nacional dos Técnicos Superiores das Áreas de Diagnóstico e Terapêutica (STSS) declarou-se, esta sexta-feira, preocupado com "a continua diminuição de acessibilidade" por parte dos utentes do Serviço Regional de Saúde da Madeira (SRS) às áreas de diagnóstico e terapêutica, reagindo, assim, ao comunicado do SESARAM, que dava conta do encerramento do Serviço de Fisioterapia no Concelho do Porto Moniz.

"Este problema de acessibilidade resulta fundamentalmente de um desinvestimento que tem sido feito nos últimos anos nestas áreas, quer em recursos humanos, quer em recursos técnicos", considerou o STSS.

Numa nota enviada às redações, o sindicato lembrou que, para assegurar as necessidades imediatas do SESARAM, faltam cerca de 30% de técnicos superiores de Diagnóstico e Terapêutica (TSDT) nas diversas áreas de atuação, como nas Análises Clínicas, na Cardiopneumologia, na Farmácia, na Fisioterapia, na Terapia Ocupacional e na Saúde Oral, passando por todas as restantes profissões que os TSDT desempenham.

Relativamente ao número avançado pelo SESARAM em relação aos utentes que se encontram em programa de reabilitação fisioterapêutica no concelho do Porto Moniz, o STSS esclareceu que este é o "número de utentes que estão a ser efetivamente tratados e não dos que deveriam a estar a ser tratados.

"Atendendo à demografia do Porto Moniz, nomeadamente ao número de habitantes e à elevada faixa etária destes habitantes", deverão ser "mais de uma centena os utentes a necessitar deste tipo de cuidados" e só não os recebem por "problemas de acessibilidade a cuidados de saúde", argumentou.

Com o encerramento deste serviço, o SESARAM diz assegurar os tratamentos no Centro de Saúde de São Vicente, recordou, acusando o serviço de "esquecer-se de que, não havendo um aumento do número de fisioterapeutas, existirá uma sobrecarga para os que lá exercem funções ou então uma diminuição da prestação destes cuidados de saúde à população de São Vicente".

Por último, o STSS vem lamentar a "confusão" entre fisioterapeutas e outros profissionais que prestam cuidados de saúde diferenciados. "Os tratamentos de fisioterapia são realizados por fisioterapeutas e não por qualquer outro profissional de saúde e, infelizmente, devido à grande carência de fisioterapeutas, o SESARAM não presta cuidados de fisioterapia ao domícilio, o que
seria uma mais valia para os utentes do SRS", disse.