Perito que elaborou relatórios sobre o que se passou no Monte está a ser ouvido na ALM

David Spranger

Pedro Ginja, o perito indicado pela CMF para elaborar os relatórios sobre o que se passou no Monte, aquando da queda da árvore, está a ser ouvido esta tarde na comissão especializada da Assembleia Legislativa da Madeira.

Não sendo esta uma comissão de inquérito, o objetivo será mesmo saber o que se passou à posterior e não propriamente o que esteve na origem da queda

Pedro Ginja revelou que foi contactado logo uma hora depois do acontecimento, para saber se estaria disponível para vir à Madeira fazer uma peritagem, logo no dia 15 de agosto. Disse que sim e que veio no dia 16. Os trabalhos foram depois suspensos pelo Ministério Público que havia autorizado a primeira peritagem.

O perito diz que teve duas prestações de serviço com a CMF, um para a elaboração desse relatório.

Depois, foi solicitado que avaliasse as árvores todas do recinto e pedido um levantamento de todas as árvores do concelho, o que era impossível.

Foi então selecionado um conjunto de espaços, incluindo escolas, parque Santa Catarina, entre muitos outros, incluindo o Largo da Fonte e o Largo das Babosas.

O grosso das patologias detetadas no património arbóreo do concelho estão relacionadas com intervenções humanas.

O perito diz que encontrou "situações incríveis" e que as árvores que marcou para abate, "a câmara abateu logo de seguida”.
Pedro Ginja adianta ainda que no Largo da Fonte existem 19 árvores - com 16 plátanos mais dois plátanos e um carvalho junto à junta de freguesia, e que todas foram diagnosticadas.

“Não encontrei lesões biomecanicas que justificassem o colapso do carvalho que caiu”, afirma o especialista, admitindo: “É muito provável que tenha havido falta de assentamento. É uma zona rochosa, a água escorreu ao longo de muitos anos... criando muitos espaços vazios” Pode ter “acontecido um efeito elástico, quer o som, quer o fogo de artifício, pode ter desencadeado uma trepidação”