Presidente da EAPN diz que "não há pobres, há vítimas de injustiça"

A Câmara Municipal do Funchal formalizou, esta tarde, um protocolo com a EAPN - European Anti Poverty Network (Rede Europeia Anti-Pobreza), representada, em Portugal, pelo padre Agostinho Jardim Moreira.

“Era um desígnio nosso, que a Rede Europeia se estendesse a todo o território nacional.”, afirmou o presidente da organização, vincando a importância de, a nível da política nacional, centralizar o poder nas autarquias. “As autarquias têm o poder mais próximo do povo, estão mais próximas das comunidades.”, disse, defendendo uma intervenção ativa e integrada por parte destas no sentido de “criar condições para que todos os cidadãos possam ter a sua integralidade, o seu projeto pessoal e exercer a sua cidadania.”

O protocolo prevê uma verba de 20 mil euros, que deverá ser investida no diagnóstico rigoroso das várias realidades inerentes a situações de pobreza e exclusão social, em ações de formação e em diversos outros projetos de combate ao flagelo. “Nós lutamos pela erradicação da pobreza. Entendemos que não há pobres, há pessoas que são vítimas de injustiça.”, notou.

O presidente da Câmara Municipal do Funchal, Paulo Cafôfo, referiu-se à assinatura do protocolo como “um momento simbólico importante”, congratulando-se pelo facto de a autarquia ter vindo “a dar o exemplo” no que respeita às questões da exclusão e da desigualdade, lembrando que o Governo Regional irá “seguir este exemplo”, o que, segundo o líder autárquico, demonstra que estamos perante “um desafio que é de todos”. “Não há aqui cores políticas. Quando se trata de combater a pobreza, a desigualdade e a exclusão, temos de estar todos do mesmo lado. O poder público serve para fazer o bem, para melhorar a vida dos outros.”, afirmou, frisando que o protocolo assinado trará elevados benefícios. “Este protocolo vai ajudar-nos imenso a dar substância àquilo que são as nossas políticas sociais.”, concluiu.