"Talvez seja altura de o Governo Regional abrir uma agência de viagens própria"

Tânia R. Nascimento

O Governo Regional está em negociações com as companhias aéreas para assegurar preços acessíveis aos universitários, mas a ideia - anunciada na edição do JM desta quarta-feira - não agrada a todos, nomeadamente às agências de viagens.

Isso mesmo revelou António Cruz, da Viagens Abreu, que considerou que iniciativas deste género "retiraram negócio às agências de viagens".

Em declarações à 88.8 JM, o agente de viagens adiantou que, embora não olhe para o Governo Regional como "concorrência", uma vez que os estudantes universitários não constituem o foco da agência, reconhece que este mercado "é um complemento aos serviços" que a Abreu presta aos madeirenses.

"Talvez seja altura de o Governo Regional pensar em abrir uma agência de viagens própria e, se calhar, começar também a explorar este segmento de negócio. Quem sabe se não lhes corre bem", atirou António Cruz, em tom irónico. E reformulou: "Estando isto a tornar-se frequente, quem sabe se não seria uma boa ideia abrirem [o Governo Regional] um departamento que possa, eventualmente, explorar esta vertente das passagens aéreas".

De acordo com a manchete do JM desta quarta-feira, não haverá mais voos charter para madeirenses a estudar no continente. A opção do Governo Regional passará, agora, pela compra de centenas de lugares às companhias aéreas para "transmitir aos estudantes preços justos". O pacote que está a ser negociado pode chegar até aos dois mil lugares para um período de 20 dias durante o mês de setembro.

Questionado, ainda pela 88.8 JM, sobre o atual modelo de subsídio para as agências de agências, António Cruz respondeu que o mesmo é "bastante mais vantajoso do que o anterior", embora "precise de ser olhado, pensado e reformulado".

"Anteriormente recebíamos 65 euros de reembolso e hoje em dia pagamos 86 euros, no final das contas. Portanto, do ponto de vista do custo final, obviamente que este modelo é bastante mais vantajoso do que o anterior", disse.