A problemática das migrações e dos refugiados em debate realizado no Funchal

Lúcia M. Silva

O auditório do Núcleo Museológico Mary Jane Wilson acolheu na tarde desta quinta-feira a conferência ‘Partilhar a Viagem’, uma ação conjunta realizada em 65 países, lançada pelo Papa Francisco, com vista sensibilizar o mundo para o problema das migrações e dos refugiados com o objetivo de acolhê-los e integrá-los, criando espaço de diálogo e uma cultura de encontro.

A organização destas conferências, em cada um destes 65 países, ficou a cargo da Cáritas, instituição que, na Madeira é representada por José Manuel Barbeito.

Na sessão de abertura desta conferência, dividida por dois painéis, o responsável começou por focar as principais razões que levam milhares de pessoas a saírem das suas terras natais, apontando as dificuldades sentidas pelos governos para lidarem com o seu acolhimento e lembrando as dramáticas situações que ocorrem durante as viagens dos migrantes e refugiados.

Se aqui na Região não temos sentido este problema e temos recebido, durante estes anos, algumas pequenas vagas de migrantes – comunidades africanas, de Leste, da China e mais recentemente da Venezuela – José Manuel Barbeito realçou na sua intervenção o facto de, também aqui na Madeira, “registar-se, embora de forma diminuta, algumas reações xenófobas em relação a estas comunidades que para cá têm vindo”, com especial enfoque para as pessoas que têm chegado da Venezuela.

Na origem deste problema está, na opinião de José Manuel Barbeito o “pão”, ou seja o trabalho, a fonte de subsistência.

“Quem não o tem quer tê-lo e muitas vezes quem o tem quero-o só para si como fonte de domínio e de riqueza”, afirmou, lembrando que, deste ponto de vista, o “pão tanto une como divide”.

“Esta tem sido a dramática razão de todos os conflitos que têm atravessado a história da humanidade”, recordou.