Governo Regional tem cumprido com a sua parte para a construção do Hospital, República é que não

Paula Abreu

O concurso público internacional para a construção do novo hospital da Madeira será lançado, «no tempo certo», até ao final do ano. E, ao contrário do que foi dito pelo líder do PS/Madeira, o Governo Regional disponibilizou «toda a documentação» solicitada sobre o projeto em causa e dentro dos prazos.

Hoje, numa conferência conjunta com os secretários regionais dos Assuntos Parlamentares e Europeus, das Finanças e da Saúde, em que foram entregues à comunicação social documentos que comprovavam a troca de correspondência com o governo da República e com os partidos regionais, o Governo Regional quis «desmentir de uma forma muito clara» as declarações de Carlos Pereira.

Sérgio Marques, que tem a tutela das obras públicas, demonstrou que os custos de construção (sem IVA, sem equipamentos hospitalares e sem expropriações), do hospital da Madeira é manifestamente inferior aos previstos para o continente, nomeadamente o Hospital Oriental de Lisboa, orçado em 346 milhões de euros, para um total de camas de 825, o que representa um custo por cama de 419 mil euros, e do que o de Évora, orçado em 167 milhões de euros, para 351 camas, o que representa um custo de 475 mil euros por cama. É que, o custo do hospital madeirense é de 195 milhões de euros, para 558 camas, o que equivale a 349 mil euros por cama. «O número de camas do hospital da Madeira apresenta o mais baixo custo por cama», frisou Sérgio Marques, voltando a desmentir Carlos Pereira.

Já Rui Gonçalves disse esperar que o Governo da República não se fique pelas intenções e que passe, de facto, à prática. Isto é, se assumiu 50 por cento da construção e a liderança do processo, tem de iniciar os procedimentos. O governante com a pasta das Finanças lembrou ainda que a Região defendia que o Estado suportasse 80% da obra e a Região 20%, por se tratar de uma infraestrutura de interesse nacional. Contudo, o executivo de Costa assumiu apenas 50%. Para além disso, a Região aguarda pelas verbas referentes às expropriações, num valor de 8,8 milhões de euros. Da parte da Região, no Orçamento Regional, e como o Orçamento nacional não previa ainda os montantes em causa, foram incluídos 2,5 milhões de euros para avaçar com as expropriações, explicou ainda.

Rui Gonçalves lembrou ainda que, uma semana após a entrada em vigor do Orçamento de Estado, a Região enviou uma carta ao Ministério das Finanças a lembrar a importância da obra e a se disponibilizar para o início do processo «de cooperação conducente à aprovação do financiamento do novo Hospital da Madeira, bem como solicitar que o mesmo seja concluído no mais curto espaço de tempo, de modo a que o respetivo concurso público internacional eja lançado ainda no corrente ano», aguardando resposta.

Da parte da Região, sublinhou ainda, «é totalmente falso que o processo esteja parado», ainda mais quando o artigo 57º do Orçamento de Estado, define que será o governo central, em cooperação com o regional, «a desenvolver as diligências necessárias» para a construção do novo hospital central da Madeira.

Pedro Ramos, com a pasta da Saúde, também se manifestou surpreendido com o teor das declarações do líder do PS sobre o hospital e sustentou que, para o executivo madeirense, a obra é o «expoente máximo» do que é pretendido para a Saúde na região, com a concentração de diversos serviços num único edifício. Garantiu ainda que o preço do hospital «está bem calculado» e que, quando comparado com os valores das infraestruturas de Lisboa e de Évora, não corresponde aos valores apresentados por Carlos Pereira.

Sérgio Marques deu por encerrada a conferência de imprensa, aconselhando «o deputado do PS a fazer melhor política, com mais elevação» e verdade.