Sindicato aponta para 70% de adesão à greve dos médicos na Madeira

Lusa

A adesão à greve dos médicos na Madeira situa-se em quase 70%, sendo de 100% no bloco operatório do Hospital Central do Funchal, que está a funcionar apenas com os serviços mínimos, indicou hoje o sindicato do setor.

"Os dados são provisórios, mas a adesão é satisfatória e demonstra o descontentamento dos médicos face à falta de seriedade e à não-negociação do Governo", disse à agência Lusa Lídia Ferreira, do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), estrutura que convocou a greve, juntamente com a Federação Nacional dos Médicos (FNAM).

A sindicalista informou que apenas duas das sete salas do bloco operatório do Hospital Central do Funchal estão a funcionar, ao passo que as consultas externas decorrem com "aparente normalidade", situação que a Lusa constatou no local, onde, no entanto, alguns utentes se queixavam de consultas adiadas sem aviso prévio e de falta de informação sobre a greve.

Em relação aos centros de saúde, o SIM não dispõe ainda de dados.

O Serviço de Saúde da Região Autónoma da Madeira (SESARAM) também remete a divulgação de números para mais tarde.

O secretário regional da Saúde, Pedro Ramos, mostrou-se esperançado de que os impactos da greve, que envolve um universo de 297 médicos hospitalares e 121 ao nível dos centros de saúde, "não sejam muito intensos", considerando que a responsabilidade destes profissionais “é acrescida".

O governante reconheceu, em declarações aos jornalistas no Hospital Central do Funchal, que qualquer cidadão tem direito à greve e realçou que os médicos estão a lutar por direitos que entendem que ainda não têm e que poderão, quando forem atribuídos, contribuir para uma prestação de cuidados melhor e mais segura.

Os médicos iniciaram hoje às 00:00 três dias de greve nacional, uma paralisação que os sindicatos consideram ser pela "defesa do Serviço Nacional de Saúde".

A reivindicação essencial para esta greve de três dias é "a defesa do SNS" e o respeito pela dignidade da profissão médica, segundo os dois sindicatos que convocaram a paralisação.

Em termos concretos, os sindicatos querem uma redução do trabalho suplementar de 200 para 150 horas anuais, uma diminuição progressiva até 12 horas semanais de trabalho em urgência e uma diminuição gradual das listas de utentes dos médicos de família até 1.500 utentes, quando atualmente são de cerca de 1.900 doentes.

Entre os motivos da greve estão ainda a revisão das carreiras médicas e respetivas grelhas salariais, o descongelamento da progressão da carreira médica e a criação de um estatuto profissional de desgaste rápido e de risco e penosidade acrescidos, com a diminuição da idade da reforma.

Para hoje à tarde, a FNAM agendou uma concentração em frente do Ministério da Saúde, em Lisboa.

A paralisação nacional de três dias, que termina às 24:00 de quinta-feira, deve afetar sobretudo consultas e cirurgias programadas, estando contudo garantidos serviços mínimos, como as urgências, tratamentos de quimioterapia, radioterapia, transplante, diálise, imuno-hemoterapia, cuidados paliativos em internamento.