Padre escreve sobre “a atitude dos deputados apanhados com a boca na botija dos subsídios duplos das viagens”

O pároco de São Roque comenta hoje, no seu blog, o caso dos deputados madeirenses na Assembleia da República que acumularam as verbas do subsídio de mobilidade com o subsídio de viagem pago pelo Parlamento.

Depois de explicar que “o dinheiro é uma realidade tramada”, José Luís Rodrigues nota que a sociedade está “implacável com os prevaricadores quando se trata do assunto dinheiro, ainda mais se forem políticos, mas se estivesse a mesma oportunidade obviamente que qualquer cidadão lamberia do mesmo modo os dedos.”

Feito esse enquadramento, o sacerdote diz que não o surpreende “a atitude dos deputados apanhados com a boca na botija dos subsídios duplos das viagens. Obviamente, que apanhados, as consequências, não esperaram. Foram castigados pelo crivo moralista da sociedade em que vivemos”.

Quanto a intenção já manifestada por alguns deputados de devolverem o dinheiro, o padre considera que “é o mínimo de quem agora demonstra que sabia que era legal, mas não era ético aquele procedimento”.

Mais importante do que isso, agora, é perceber “como irão falar com autoridade estes deputados quando estejam a debater na Assembleia da República e na comunicação social o tema da mobilidade e do subsídio das viagens entre as ilhas e o continente? Que legitimidades terão, quando abrirem a boca, pois logo nos vai bailar na cabeça a lembrança do seu procedimento?”, questiona.