Cafôfo defende que "o ensino não pode ser igual para todos"

Lúcia M. Silva

Um ensino diferenciado, uma escola mais autónoma e consciente do rumo que deve tomar em prol dos seus alunos, foram algumas das considerações deixadas esta manhã pelo presidente da Câmara Municipal do Funchal, na abertura da conferência"Desafiar a escola", promovida pelo Departamento de Educação e Qualidade de Vida e que decorre durante o dia de hoje no Teatro Municipal Baltazar Dias.

Perante uma plateia de professores, muitos deles com responsabilidades de direção nas respetivas escolas, Paulo Cafôfo apelou aos presentes para que sejam os mentores de uma escola mais aberta, que permita aos alunos se tornarem "borboletas" e possam "voar sobre as flores".

"Este é que é o objetivo da educação e o objetivo de alguém que forma e tem responsabilidades", afirmou, salientando que "o ensino como está hoje feito não corresponde às necessidades, apesar de nunca os professores terem trabalhado tanto".

Declarando que "não podemos ter um ensino em que tudo é igual para todos", Cafôfo focou a importância da "humanização" do ensino, salientando que "não podemos ter uma educação formatada, em que temos um currículo, um manual e todos têm de aprender da mesma forma e o mesmo. Isto não resulta", afirmou.

Acreditando na autonomia das escolas, o presidente, que também já exerceu docência como professor de história, é da opinião de que "cada escola tem de saber o seu rumo" e, embora haja uma "matriz nacional ou regional que tem de ser seguida", há depois "uma margem e flexibilidade que tem de haver para que a escola poder tomar as suas opções".

"A autonomia e assumir a autonomia dá trabalho ", alertou Paulo Cafôfo, reconhecendo que, muitas vezes é muito mais "confortável" culpar o sistema, o ministério ou o governo.

Contudo, salientou, que "não há outro caminho" e que "as escolas devem assumir a sua autonomia, implementar projetos ao meio onde estão inseridas e diferenciados".

Docente na UMa defende que a escola tem de reinventar-se

Para Fernanda Gouveia, uma das oradoras convidadas para participar nesta conferência, "as escolas têm de encontrar novas formas de avaliar porque a avaliação não se pode cingir apenas a resultados de testes e exames. A avaliação é muito mais do que isso, é uma componente integrante do processo de aprendizagem. Não é um elemento que se considere à parte de todo o processo de ensino e aprendizagem".

Para a investigadora, as notas que saem dos testes nem sempre refletem o verdadeiro conhecimento dos alunos e é por isso que os professores devem estar mais abertos a outras metodologias de avaliação.

Consciente de que ainda temos uma escola muito tradicional, Fernanda Gouveia acredita que o projeto de flexibilidade curricular que está a ser "testado" em algumas escolas da Região poderá mudar o rumo do ensino e os métodos de avaliação e consequentemente da aprendizagem.