"Se cedermos [à ideia do sucesso por 'cunha'], é a falência total da nossa sociedade"

Tânia R. Nascimento

"Nem sempre a meritocracia vem ao de cima, mas se cedermos a isso, é a falência total da nossa sociedade civil". A declaração é do diretor executivo da Associação de Promoção da Madeira, Roberto Santa Clara, que esteve esta manhã na Escola Secundária Francisco Franco para, juntamente com o CEO do Grupo 'Savoy Hotels & Resorts', Bruno Freitas, e ex- líder do PS Carlos Pereira, partilhar as suas vivências, experiências e carreira de sucesso.

Para o antigo aluno da Francisco Francisco, o futuro dos mais novos passa pela cultura do mérito, "muitas vezes" desvalorizado na sociedade portuguesa, mas "elementar" para alcançar o sucesso.

"Todos sabemos que não é fácil, porque nem todas as vezes se vence pelo mérito, mas acho que essa é que é a mensagem base. Nós não podemos passar aos nossos jovens que não interessa a formação, que não interessa o esforço e terminarem o dia com a consciência tranquila, com a sensação de terem feito tudo o que estava ao seu alcance", disse à comunicação social Roberto Santa Clara, momentos antes da sua intervenção perante 125 alunos oriundos de diversas áreas de ensino.

Aos jovens, Roberto Santa Clara deixou a ideia de que é necessário "manter os pés assentes na terra", incentivando-os a ganhar experiência profissional desde tenra idade e a "sair da zona de conforto". Declarou-se, por outro lado, "preocupado" com o uso excessivo das tecnologias entre os mais novos, por temer tirar-lhes o foto "do que é elementar", reconhecendo, ainda, que a "globalização pode ser enfrentada a partir da Madeira" sem medos.

O deputado à Assembleia da República, Carlos Pereira, considerou, por seu lado, que quanto mais exigente é a sociedade, mais indispensável é o mérito.

"É quando começamos a entrar num mundo globalizado e a competir fora Região que entendemos que o mérito é absolutamente indispensável para sobrevivermos", notou o antigo aluno do estabelecimento de ensino, realçando que "dar o seu máximo" é o "melhor caminho" a seguir, independentemente do resultado final.

Durante a sua intervenção, Carlos Pereira considerou que mais relevante que as instalações de uma escola, é a relação que os alunos constrõem entre si e mesmo com os próprios docentes e que os acompanhará ao longo do seu percurso pessoal e profissional.

Outra das mensagens deixadas aos alunos pelo ex-líder do PS/Madeira teve a ver com a importância de conhecer-se a si próprio. "Para construir um percurso de sucesso, é preciso conhecer-se a si próprio e respeitar uma série de princípios, que deverão estar presentes no dia a dia das relações pessoais. Lidar connosco não é fácil, mas essa aprendizagem surge com o crescimento".

Sobre as exigências de um mundo cada vez mais diverso e desafiante, Carlos Pereira entendeu ser necessário "repensar a escola", considerando que o atual método de ensino não atende às características individuais dos alunos. Para além disso, reconheceu a importância do correto encaminhamento das crianças, de modo a que façam "aquilo que gostam".

Bruno Freitas, também antigo aluno da Francisco Franco, reconheceu a importância das relações com os colegas e professores. "O ensinamento, a amizade e a camaradagem que conquistei nesta escola ainda se mantêm, e é isso mesmo que nos ajuda, também, na nossa vida, quer pessoal, quer profissional", disse.

Para o CEO do Grupo 'Savoy Hotels & Resorts', o sucesso alcança-se com "trabalho" e dedicação", mas também "humildade".

"Muitas vezes, os nossos filhos têm a vida facilitada e os grandes culpados somos nós. Os nossos pais, por outro lado, não nos facilitavam tanto a vida. Ainda assim, a nossa grande responsabilidade enquanto pais é mostrar-lhes que também se alcança o sucesso pelo esforço, pela dedicação e pelo trabalho", realçou.