PCP/Madeira acusa governantes de desviar dinheiro para reconstrução

Lusa

O coordenador do PCP na Madeira afirmou hoje que existem pessoas nas zonas mais afetadas pela aluvião do 20 de fevereiro de 2010 que continuam “expostas aos mesmos perigos”, acusando os governantes de “desviar” dinheiros destinados à reconstrução.

“É um memorial, para que não se esqueça que ali mora tanta gente exposta aos mesmos perigos antigos que provocaram a morte a tanta gente”, disse Edgar Silva numa iniciativa partidária que levou os responsáveis comunistas madeirenses ao sítio do Poço do Morgado, na zona do Trapiche, na freguesia de Santo António, nos arredores do Funchal.

Neste local, no temporal que assolou a Madeira morreram 14 pessoas das 43 vítimas mortais provocadas pela tragédia.

Edgar Silva referia-se a uma casa que “persiste, e onde morreram pessoas, depois da destruição de há oito anos ali está como um memorial”.

O líder comunista insular adiantou que esta é também “uma acusação aos governantes que desviaram os dinheiros da reconstrução que ali estão em falta para proteger o povo”

Na opinião de Edgar Silva, “é uma acusação aos governantes que esbanjaram os dinheiros da Lei de Meios nas marinas” e aos que “despejaram, para inglês ver, os meios que deveriam ser para proteger o povo nos lugares da catástrofe”.

O PCP/Madeira programou oito iniciativas partidárias até o dia 20 de fevereiro para falar de “situações concretas onde as populações mais marcadas pela aluvião de 20 de fevereiro continuam sem o socorro a que deveriam ter direito”.

O temporal de 20 de fevereiro de 2010 foi um dos mais graves na Madeira nos últimos dois séculos no arquipélago.

O aluvião provocou 43 mortos e seis desaparecidos, para além de 250 feridos e 600 desalojados. A empresa pública Investimentos Habitacionais da Madeira viu-se forçada a intervir na recuperação e construção de 800 casas, num investimento de 14,89 milhões de euros.

Os concelhos mais afetados foram Funchal, Santa Cruz, Câmara de Lobos e Ribeira Brava (todos na costa sul da ilha), sendo que os prejuízos materiais foram avaliados em 1.080 milhões de euros.

A dimensão da ocorrência levou a Assembleia da República a aprovar a Lei de Meios para financiar as iniciativas de reconstrução da Madeira, fixando um pacote de 740 milhões de euros a ser aplicado no período 2010-2013, prazo que entretanto foi alargado.

A região beneficiou também de uma ajuda de 265 milhões de euros do União Europeia, através do Fundo de Coesão.