Jardim admite que o PSD pode perder as eleições na Madeira em 2019

Miguel Silva

O antigo presidente do Governo Regional e do PSD-M diz que está "fulo" com o partido. Sobre Cafôfo, responde que "é um bom autarca, mas não passa disso".

A advertência direta de Alberto João Jardim foi feita em entrevista à TSF. O antigo dirigente regional do Governo e dos social-democratas deixa claro que as eleições regionais do próximo ano não vão ser fáceis.

"As eleições aqui na Madeira não vão ser fáceis por motivos em que eu não quero entrar por razões pessoais. Estamos a tempo de encontrar soluções, até porque as alternativas que se põem ao PSD são muito fraquinhas", diz Jardim citado na página online da TSF.

Perante a questão sobre se Paulo Cafôfo é um candidato fraco, Jardim responde: "Muito fraco, muito fraco. É um bom autarca, mas não passa disso, não se lhe conhece qualquer pensamento sobre as questões vitais do país, não se sabe o que ele é ideologicamente. Não se sabe o que pensa da autonomia política, não se sabe o que pensa de questões fundamentais como o Estado central nos impor uma dívida que nós não temos de pagar; há aqui várias questões sobre as quais ele ainda não se pronunciou. Portanto, não se lhe conhece pensamento político. Para uma pessoa ser chefe de um governo, goste-se ou não se goste desse pensamento político, tem de se saber qual é ele".

Jardim explica que para a dificuldade das eleições conta ainda o "demérito" do atual presidente do Governo Regional. "Ainda falta um ano e meio, se não se mudar a agulha há o risco de perder" as eleições, adverte o antigo homem forte do PSD-Madeira e do Governo Regional. Mas também admite que, se a estratégia for alterada, o PSD continua a ser o partido com mais votos.

Questionado sobre se está desiludido, Alberto João Jardim responde ao seu estilo: "Eu não estou desiludido nem estou satisfeito, estou, pura e simplesmente, fulo". E acrescenta: "Estou fulo, estou irritado, estou zangado". Esclarece que não está zangado pessoalmente com Miguel Albuquerque, mas reforça que faria "uma política diferente" da que segue o seu sucessor no governo e no partido.

Na mesma entrevista, conduzida por Anselo Crespo, Jardim rejeita voltar à política ativa. "Não, porque a vida deve ser feita de tempos. O meu tempo de governo passou. Eu intervenho, escrevo, ajudo no que for preciso, mas passou", afirma.