Romarias Quaresmais em exposição em São Vicente

Tânia R. Nascimento

A exposição “Romeiros da Quaresma” vai ser inaugurada no próximo dia 20 de janeiro, pelas 17 horas, no Centro de Promoção Cultural de São Vicente.

Um comunicado da Câmara Municipal de São VIcente avança que, após a exposição, segue-se a visualização do documentário “Irmãos”, realizado por Pedro Magano, pelas 18h30, na Escola Agrícola da Madeira.

A exposição é organizada pela Confraria dos Caminheiros de São Vicente, mais concretamente por Duarte Mendes, João Silva e António Maria Brazão em parceria com o Centro de Promoção Cultural de São Vicente, e consiste numa recolha fotográfica, peças e artefactos utilizados nas Romarias Quaresmais, referentes à participação da Confraria dos Caminheiros nas mesmas.

Os caminheiros vicentinos juntam-se ao Rancho de Romeiros de São Jorge e Nossa Senhora da Luz, Pedreira /Vila do Nordeste, Concelho do Nordeste e São Miguel, Açores, desde 2008.

A romaria em São Miguel teve o seu início na sequência dos violentos sismos e erupções vulcânicas que abalaram Vila Franca do Campo em 1522 e 1563 respetivamente.

Numa era em que os cataclismos naturais eram tidos como punição divina pelos pecados do homem, os sacerdotes locais, tais como o Frei Afonso de Toledo, instigaram o povo à prática da devoção e procissões marianas, passando os micaelenses a peregrinar pelas capelas, igrejas e ermidas da ilha rogando a proteção da Virgem e intervenção divina para a resolução de seus males e aflições.

Esta tradição do povo de São Miguel leva os Ranchos a percorrer numa semana as igrejas de devoção à imagem da Virgem.

O presidente da Autarquia, José António Gonçalves Garcês, convida, assim, os munícipes e a população em geral a visitar esta exposição, que estará patente ao público de segunda a sexta-feira, das 10 horas às 12h30 e das 14 horas às 17h30, até ao dia 5 de fevereiro de 2018.

De acordo com a sinopse do documentário "Irmãos", centenas de homens e crianças caminham, alinhados, pelas estradas e trilhos da ilha de São Miguel, nos Açores, um lugar sagrado onde a natureza e a fé se conjugam. "Envergam xailes ao ombro, lenços ao pescoço, uma cevadeira às costas, um bordão e um terço na mão. Rezam por eles, pelos seus e por quem encontram pelo caminho onde vão colecionando as suas preces. Levam mais de 300km nos pés e outros tantos de cansaço, de lágrimas, de alegria, de esperança. Um ritual único de partilha, que acontece há mais de 500 anos", complementa o comunicado.